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Mães de crianças com microcefalia por zika reclamam de atrasos na distribuição de leite e fraldas, em Fortaleza

Há meses sem receber os itens necessários aos filhos, fornecidos pelo governo do Ceará e pela prefeitura de Fortaleza, Sabrina Sousa e Nathalya Edla revelam as dificuldades com os cuidados das crianças.

09/06/2021 11h23
Por: Imprensa Livre do Ceará Fonte: G1
Há meses, o fornecimento destes materiais, de responsabilidade do poder público, não está acontecendo na capital, segundo o relato de um grupo de mães.
Há meses, o fornecimento destes materiais, de responsabilidade do poder público, não está acontecendo na capital, segundo o relato de um grupo de mães.

Os cuidados com uma criança com microcefalia perpassam por diferentes obstáculos, e entre eles, algumas mães ainda precisam superar a dificuldade em conseguir itens básicos — como leite e fraldas — em Fortaleza. Há meses, o fornecimento destes materiais, de responsabilidade do poder público, não está acontecendo na capital, segundo o relato de um grupo de mães.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informa que o suplemento Fortini (leite) e o medicamento Sabril estão em fase de aquisição. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Fortaleza informou que as duas famílias cujos casos foram mostrados nessa reportagem não estão cadastradas para receber assistência pela prefeitura.

Veja o vídeo:

 

As crianças em questão nasceram em meio à epidemia do vírus da zika, ocorrida no Brasil entre 2015 e 2016. Descobriu-se, à época, que um dos efeitos do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti em gestantes era ocasionar a microcefalia nas crianças. A condição passou a ser classificada como síndrome congênita da zika. No Ceará, foram confirmadas 174 crianças com a síndrome, entre setembro de 2015 e outubro de 2019, segundo o Registro de Eventos em Saúde Pública do Ministério da Saúde.

Entre incontáveis mães que passaram pela situação e hoje reclamam a falta de fornecimento dos itens básicos para os filhos, estão Sabrina Sousa, mãe de Enzo (que tem quatro anos) e Nathalya Edla, mãe de Ruan Guilherme (cinco anos). Elas fazem parte de grupos em aplicativos de mensagens e revelam que a situação não acontece apenas com ambas.

A lata de leite específica para as crianças custa R$ 42 e dura, no máximo, dois dias, conforme Sabrina. Para conseguir arcar com os custos, ela se reinventa e busca ajuda de outras pessoas. “Eu uso uma parte do benefício dele, que graças a Deus ele recebe, consigo comprar em uma farmácia com desconto — pouco, mas ajuda — e eu fico fazendo rifas, a família ajuda”, revela a mãe de Enzo.

Além da lata de leite, o Governo do Ceará também tem a responsabilidade de fornecer um kit com os itens apropriados para que a alimentação seja feita da maneira adequada às crianças. “Desde 2018 que meu filho recebe e nunca aconteceu de ele passar tanto tempo assim sem receber”, lembra Sabrina.

“Tem mãe que está reduzindo a dieta, botando mais água e menos concha [que dosa a quantidade de leite] para poder conseguir alimentar”, comenta Sabrina Sousa. Ela revela que está há dois meses sem receber o leite e há oito meses sem receber as fraldas — que eram fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza. Enzo, que tem quatro anos, recebe os itens desde quando completou um ano de idade.

 

Falta de fraldas

 

 

Em relação às fraldas, Sabrina aponta a dificuldade. “Mesmo sendo ordem judicial, eles [Prefeitura de Fortaleza] querem que fique renovando [o cadastro] todo mês, fazendo com que eu tire meu filho de casa para ir a um hospital pegar um laudo. Só que no meio da pandemia, eu estou fazendo de tudo para não tirar ele de casa”.

Nathalya, que está há seis meses sem conseguir as fraldas, também destaca o grande consumo do item, o que gera um custo alto, em torno de R$ 290 mensalmente. “As fraldas que compro para ele custam R$ 42 o pacote, e vem 40 fraldas. No laudo, a médica pede 280 fraldas por mês. Ele toma remédio e bastante água então faz muito xixi por dia”, explica a mãe de Ruan Guilherme.

A mãe ainda pontua gastos com remédio e deslocamento para a fisioterapia, feita uma vez por semana. Ruan recebe os itens desde quando fez um ano e quatro meses de vida, após complicações que passou por conta da microcefalia.

 

E, de acordo com ela, até mesmo com as fraldas recebidas, outro problema se apresenta. “No laudo que a médica passa, ela fala que ele só pode usar certas marcas de fraldas, porque as outras ele tem alergia. E eu sempre recebo a de outra marca. Muitas vezes eu não uso por conta da alergia dele, aí eu doo para outras crianças. Eu só recebo mesmo porque sei que outras mães precisam”, revela Nathalya.

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