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Política CPI da Covid

CPI convoca ex-mulher de Bolsonaro e intensifica críticas ao governo

Ela foi chamada à comissão por supostamente ter conexões com o empresário Marconny Faria, que depôs à CPI nesta quarta e é acusado de atuar como lobista a favor da empresa Precisa Medicamentos dentro do Ministério da Saúde.

15/09/2021 às 22h31
Por: Imprensa Livre do Ceará
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CPI convoca ex-mulher de Bolsonaro e intensifica críticas ao governo

CPI da Covid do Senado teve como um dos resultados da reunião desta quarta-feira (15) a aprovação da convocação da advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Ela foi chamada à comissão por supostamente ter conexões com o empresário Marconny Faria, que depôs à CPI nesta quarta e é acusado de atuar como lobista a favor da empresa Precisa Medicamentos dentro do Ministério da Saúde.

A convocação de Valle foi aprovada de forma quase unânime pela comissão. A única manifestação contrária foi a do senador Marcos Rogério (DEM-RO). Mesmo a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), que é vice-líder do governo no Congresso, não contestou a chamada. Curiosamente, o senador Humberto Costa (PT-PE), adversário do governo Bolsonaro, disse em entrevista após a sessão da CPI que tem ressalvas à convocação de Valle: para ele, há indícios de que ela pode ter envolvimentos com crimes, como os das rachadinhas, mas não necessariamente atos ligados à pandemia de coronavírus, objeto inicial da CPI.

A convocação foi pedida pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e pautada na sessão desta quarta pelo vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que presidia os trabalhos na ocasião. Ainda não há data para a presença de Valle no colegiado.

A aprovação da convocação da ex-mulher de Bolsonaro não foi a única notícia negativa para o governo nesta quarta. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), determinou que a comissão ouça o ministro Wágner do Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU). A presença de Rosário havia sido demandada pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que se apresenta como independente mas costuma votar de modo similar aos parlamentares governistas.

A expectativa de Girão era de que Rosário fosse à CPI para falar sobre operações promovidas pela CGU para apurar irregularidades em estados e municípios. Aziz, porém, indicou que a presença do ministro será para uma sessão de críticas — ele deverá ser questionado sobre irregularidades ocorridas no Ministério da Saúde que, segundo o presidente da CPI, eram de seu conhecimento e não receberam ações de combate. O senador acusou o ministro de prevaricação e omissão.

Na sessão desta quarta, novamente os governistas estiveram em minoria e não conseguiram se posicionar diante das demandas apresentadas pelos adversários do governo Bolsonaro. A situação tem se tornado uma rotina na CPI; parlamentares alinhados com o governo já admitem que a estratégia para as semanas finais de comissão é de "redução de danos" e de buscar colher os efeitos da apresentação de um relatório paralelo.

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