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Ambulante morto durante confronto entre Guarda Municipal e vendedores na José Avelino foi atingido por disparo de arma de fogo, diz secretaria

Naison Abdenego Barros, de 31 anos, morreu durante o conflito entre guardas e ambulantes nas imediações da Feira da José Avelino há exatamente um mês. Por Cadu Freitas, G1 CE

18/09/2021 às 12h46
Por: Imprensa Livre do Ceará Fonte: G1
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Naison Abdenego Barros foi sepultado em um cemitério localizado no município de Caucaia.
Naison Abdenego Barros foi sepultado em um cemitério localizado no município de Caucaia.

O vendedor ambulante Naison Abdenego Barros, de 31 anos, que morreu durante uma ação da Guarda Municipal de Fortaleza, no dia 18 de agosto deste ano, na Feira da Rua José Avelino, no centro da capital, foi atingido por disparo de arma de fogo. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em nota, um mês após a morte do comerciante.

A pasta não informou de onde o disparo veio e nem quem é o suspeito pela morte do vendedor ambulante. Contudo, ressaltou que as investigações da 4ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para identificar as circunstâncias acerca do caso seguem em andamento.

 

Vídeos gravados no local no dia da morte de Nailson mostram os comerciantes com cartazes fazendo um protesto na Avenida Alberto Nepomuceno. É possível ver agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Guarda, em formação com escudos, enquanto os feirantes gritam palavras de ordem. Minutos depois, começa a correria e o confronto entre os grupos. Os agentes fazem disparos, que são revidados com pedras jogadas por alguns ambulantes (veja o vídeo acima).

De acordo com a Secretaria da Segurança, "a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) encaminhou para Polícia Civil o laudo de exame cadavérico, da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), e o laudo de balística, da Coordenadoria de Perícia Criminal (Copec). Já os laudos da Coordenadoria de Análises Laboratoriais Forenses (Calf) estão em fase final de processamento".

No dia do sepultamento do ambulante, o irmão dele, Gledson de Sousa, disse que Nailson havia levado um tiro no peito e já havia chegado sem vida ao Instituto Dr. José Frota.

 

"Falaram que ele tinha sido baleado. O médico disse que ele tinha sido alvejado debaixo do peito. Que ele chegou já morto. Tentaram reanimá-lo e infelizmente não deu certo. Ele gostava muito de trabalhar autônomo na feira com as coisas dele", disse o irmão.

 

Naison foi socorrido por colegas de trabalho e levado em um carro particular ao hospital, em meio à confusão entre feirantes e guardas, mas ele não resistiu ao ferimento. 

Um ambulante que se identificou apenas como Ari, disse que o colega morto durante o confronto foi atingido por um tiro efetuado por um guarda municipal que, segundo ele, atirou na direção dos ambulantes.

 

"No momento do corre-corre, a gente viu quando se afastaram no sentido da igreja, tenho foto do guarda com a pistola na mão, ele atirou na direção da gente, a gente viu quando o rapaz caiu. a gente pensava que ele tinha escorregado, mas não.... disfarçaram soltando bombas", disse.

 

A Secretaria Municipal da Segurança Cidadã (Sesec), que é responsável pela Guarda Municipal, informou, em nota, "que está realizando apuração do caso por vias administrativas, através de sindicância investigativa, sob responsabilidade da Corregedoria do órgão. O processo investigativo está levantando as circunstâncias dos fatos e os indícios de autoria e materialidade da ocorrência".

Na época do ocorrido, o titular da Sesec, Eduardo Holanda, informou, antes da confirmação da morte pela polícia, que a Guarda Municipal tem como protocolo padrão usar munição não letal neste tipo de operação e que o ocorrido com a vítima seria apurado.

 

Investigação

 

A feira da Avenida José Avelino tem permissão para ocorrer apenas dentro dos galpões da região; às quartas e sábados, ambulantes montam barracas de venda nas ruas, o que é proibido.

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