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Pelo menos 13 estados e DF contrariam resolução da Saúde e seguem vacinando adolescentes

A continuidade das aplicações é contrária à resolução do Ministério da Saúde de suspender a aplicação de imunizantes em meninos e meninas, em geral, com idades entre 12 e 17 anos.

18/09/2021 às 13h07
Por: Imprensa Livre do Ceará Fonte: O Globo
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Pelo menos 13 estados e DF contrariam resolução da Saúde e seguem vacinando adolescentes

Ao menos treze estados, mais o Distrito Federal, planejam manter a vacinação contra Covid-19 de adolescentes sem comorbidades, deficiência permanente ou privação de liberdade. A continuidade das aplicações é contrária à resolução do Ministério da Saúde de suspender a aplicação de imunizantes em meninos e meninas, em geral, com idades entre 12 e 17 anos.

De acordo com levantamento, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e o Distrito Federal planejam manter as agulhadas. A decisão, porém, pode esbarrar no fim do estoque de vacinas em parte desses estados.

A exclusão dos adolescentes sem comorbidades da fila da imunização foi comunicada na última quinta-feira pelo ministro Marcelo Queiroga, depois de uma conversa com o presidente Jair Bolsonaro. Ele alegou “falta de evidências” da segurança das vacinas para essa faixa. 

Paraíba, Tocantins, Mato Grosso, Paraná e Alagoas, dizem que seguirão as decisões do governo federal e, portanto, vão restringir a imunização dos menores de 18 anos aos pré-requisitos listados pela pasta (comorbidades, deficiência permanente ou privação de liberdade). O Amazonas, por sua vez, realizou reuniões ontem para definir o futuro dessas aplicações. O estado do Rio não detalhou sua decisão, mas afirmou que “defende a vacinação dos adolescentes” e que faz “gestão junto ao Ministério da Saúde para que a decisão de suspender a vacinação em adolescentes seja revista”.

O governo do Rio Grande do Norte esclareceu em nota que vai manter a continuidade das aplicações, porém aguarda um posicionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, caso ocorram “eventuais mudanças” em relação à autorização de aplicação de vacinas nessa faixa etária.

Espera de doses

O Distrito Federal informou que começou a imunizar os jovens de 17 anos em 24 de agosto. Até agora, estendeu as aplicações aos meninos e meninas com até 14 anos. A aplicação desse público será mantida. Os que têm entre 12 e 13 anos deverão esperar a chegada de mais doses de vacina.

São Paulo diz, em nota, que também continuará vacinando e que “lamenta” a decisão do Ministério da Saúde. O estado, até agora, imunizou 72% do grupo com idades entre 12 e 17 anos. Na capital paulista, o secretário de Saúde Edson Aparecido afirmou que a expectativa é que a totalidade dos adolescentes receba a primeira dose até este domingo.

Belo Horizonte (MG) informou que vai imunizar pessoas de 17 a 12 anos sem comorbidades, mas que “para iniciar a vacinação deste público é imprescindível que novas remessas de vacinas sejam entregues”. Santa Catarina manterá as aplicações, mas “priorizando” os jovens com condições específicas de saúde, gestantes, puérperas e privados de liberdade.

Goiás também criou uma lista de prioridades para o uso do estoque da vacina da Pfizer. Os adolescentes sem qualquer comorbidade são os últimos na lista de elegíveis para receber as aplicações, após, inclusive, a inoculação de doses extras em idosos acima de 70 anos e imunossuprimidos. Já no Rio Grande do Sul, mantém-se a vacinação de quem tem 17 anos — idade que já conta com aproximadamente 50% do público com uma aplicação realizada. A vacinação dos que têm idade inferior dependerá da chegada de mais doses.

A cidade do Rio também continua com as aplicações, mas dependerá do envio de novas doses. 

O Consórcio Nordeste — que reúne os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe — divulgou uma nota de seu comitê científico recomendando que os estados e municípios mantenham a vacinação dos adolescentes. Ainda afirmou que que as justificativas federais para a suspensão “não são claras e não têm sustentação científica”

Decisão inédita

A decisão provoucou reações de sociedades médicas. Em notas, organizaçãoes recomendaram o retorno da vacinação do grupo. Ontem, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicaram notas, que se juntam às emitidas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

A nota da Sociedade Brasileira de Pediatria diz que, apesar de estudos internacionais estimarem que o número de casos na faixa etária pediátrica seja de 1% a 5% do total, o Brasil reportou 2.416 óbitos de crianças e adolescentes, representando mais do que a soma de todas as demais mortes por doenças imunopreveníveis (evitáveis por meio de vacinas).

A Anvisa informou na noite de ontem que realizou uma reunião com a Pfizer para tratar da morte da adolescente após a vacinação. A agência manteve sua posição de recomendar o imunizante nessa população.

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