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São Paulo / Fortaleza – A fabricante cearense de pás para aerogeradores Aeris protocolou um pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo para reorganizar aproximadamente R$ 1,52 bilhão em dívidas financeiras.

O movimento ocorre em meio a um cenário de forte retração do mercado eólico brasileiro, queda nas receitas e prejuízos acumulados.

Os detalhes do plano

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O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE). A proposta inicial conta com o apoio de credores detentores de 42,18% dos créditos abrangidos, superando o patamar mínimo legal de um terço.

A empresa tem agora o prazo de 90 dias para alcançar a adesão da maioria absoluta dos credores e garantir a homologação judicial do acordo.

O escopo da reestruturação concentra-se em créditos quirografários (sem garantias reais ou fiduciárias).

Ficam expressamente de fora do processo:

Dívidas tributárias e fiscais;

Obrigações trabalhistas e decorrentes de acidentes de trabalho;

Fornecedores operacionais essenciais ao fluxo de suprimentos.

Com o ajuizamento, as ações e execuções judiciais relacionadas aos débitos incluídos no plano ficam temporariamente suspensas, repetindo uma estratégia parecida com a tutela cautelar obtida pela empresa em agosto.

O impacto no Ceará e a crise do setor

Com forte presença industrial no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, a Aeris assegurou que as fábricas e as linhas de fornecimento necessárias à produção continuarão funcionando normalmente. A companhia reforçou que o objetivo é preservar os postos de trabalho, a arrecadação de tributos e as relações comerciais.

A crise da fabricante é reflexo de um momento delicado para toda a cadeia de energia renovável no país.

Nos últimos trimestres, o setor sofreu com a redução de encomendas de novos parques eólicos, quedas drásticas de faturamento (a receita líquida caiu mais de 50% em 2025) e os chamados cortes de geração (curtailment), provocados por gargalos na capacidade de transmissão e excesso pontual de oferta de energia.

Esta é a segunda grande reestruturação financeira da Aeris em pouco mais de um ano e meio, após um reperfilamento concluído em maio de 2025 que não foi suficiente para estancar a pressão sobre o caixa.

Ao final do primeiro semestre de 2026, a dívida líquida da companhia somava cerca de R$ 1,94 bilhão.

Mais detalhes e atualizações sobre o andamento do processo podem ser acompanhados diretamente no portal de Relações com Investidores da empresa e nos comunicados oficiais da B3 e da CVM.