O bairro Mondubim e seu entorno, em Fortaleza, recebem mutirão de vacina antirrábica para cães e gatos, até 9 de outubro. A ação iniciou em 29 de setembro, após um cachorro, oriundo do município de Maranguape, testar positivo para raiva e evoluir para óbito. 

Causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, a raiva é uma doença grave e transmissível entre animais e pessoas, que provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, quase sempre leva à morte, segundo o Ministério da Saúde (MS). 

A campanha segue até 30 de novembro, com o objetivo de vacinar 500 mil cães e gatos até o encerramento da ação. Fortaleza possui uma população total estimada 559.508 animais domésticos, sendo 303.719 cães e 255.789 gatos. A meta é vacinar 80% desses animais.

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O animal detectado com a doença no bairro Mondubim foi levado de Maranguape pelos tutores para atendimento veterinário em Fortaleza, o que descarta a transmissão nativa entre os cães da Cidade.

"A pessoa que manteve contato com animal (infectado) faz o tratamento profilátrico da raiva. Se mantiver contato com o vírus da raiva, tem o tempo de 15 dias. O ideal é até 15 dias ou estourando 30 dias para fazer a profilaxia com vacina. Dependendo do caso, consegue reveter praticamente 100% da manifestação da doença em humanos e animais", informa o coordenador da vigilância em Saúde da Prefeitura de Fortaleza, Josete Malheiro, .

Este cachorro chegou a ficar internado em uma clínica particular, mas foi a óbito pela doença. A gestão municipal não soube informar se o animal já havia recebido vacina antirrábica anteriormente.

Há 23 anos, a capital cearense não registra raiva em humanos. As confirmação dos casos de raiva acenderam alerta para antecipação da campanha de vacinação antirrábica na Cidade.

Desmatamento no Aeroporto pode ter relação com casos de raiva em morcegos

Em 2026, Fortaleza confirmou 28 casos de raiva em morcegos. O coordenador da vigilância em Saúde da Prefeitura de Fortaleza, Josete Malheiro, explica que os casos de raiva em Fortaleza podem ser explicados por um conjunto de fatores ecológicos, sanitários e de monitoramento ativo. 

Josete explica que a variante urbana tradicional da raiva que afetava cães e gatos não é detectada há anos em Fortaleza, devido às campanhas de vacinação em massa, ao controle de focos e ao fortalecimento da vigilância epidemiológica.

Todos os casos registrados recentemente referem-se à variante silvestre, cuja circulação ocorre habitualmente na fauna selvagem, como morcegos, saguis e raposas.

"Apenas a Regional II da cidade de Fortaleza não tem caso detectado (em morcegos). A maior concentração está na região dos bairros Serrinha e Passaré. Primeiro lugar, Serrinha, segundo lugar, Passaré", informa Josete. 

Segundo ele, a aparição desses morcegos funciona como um "radar" que indica alterações ecológicas causadas pela expansão urbana, redução de áreas verdes e episódios de queimadas ou desmatamentos.

Josete cita como exemplo a perda de área de mata no entorno do Aeroporto de Fortaleza, desmatada em setembro de 2025, gerando desequilíbrio que coincide com a maior concentração de morcegos positivos nos bairros vizinhos da Serrinha e do Passaré. 

FONTE/CRÉDITOS: O Povo