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— O cenário eleitoral brasileiro foi sacudido nesta quinta-feira (22) por uma escalada na chamada "guerra dos sigilos" entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Após o atual presidente protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de seus dados bancários e fiscais, a oposição contra-atacou ao convocar o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) para realizar uma auditoria minuciosa da documentação.
Em pronunciamento, Dallagnol afirmou que a medida será uma oportunidade para "resgatar os fatos da Lava Jato" e investigar transações históricas desde 2003.
O confronto teve início no debate televisivo do último domingo (18), promovido pela Band, quando Lula desafiou o oponente a abrir suas contas privadas e empresariais. Flávio Bolsonaro respondeu impondo uma série de condições recíprocas, exigindo que o petista estendesse a abertura de dados a familiares e assessores próximos.
O recuo e a contraofensiva técnica
A equipe jurídica de Lula aceitou as exigências impostas e avançou com o envio dos dados financeiros de figuras centrais de seu entorno ao TSE, incluindo a primeira-dama Janja da Silva, seu filho Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Diante do cumprimento do desafio por parte do petista, a campanha do PL optou por uma estratégia de fiscalização técnica agressiva em vez da abertura imediata e irrestrita dos sigilos de Flávio.
A coordenação do candidato escalou oficialmente Deltan Dallagnol para checar a completude dos dados. Segundo nota do partido aliado, Dallagnol foi escolhido devido ao seu profundo conhecimento das engrenagens financeiras investigadas no passado.
"Fui escalado para analisar os documentos entregues pelo presidente Lula. Ele é especialista em ocultar patrimônio e eu sou especialista em descobrir", provocou Dallagnol em suas redes sociais. O ex-procurador acrescentou que sua meta é garantir que o governo não tente "esconder numa caixa-preta aquilo que realmente interessa para o Brasil", sinalizando que buscará inconsistências nos registros do Instituto Lula e em contratos antigos de empreiteiras.
Reações políticas e embate jurídico
A estratégia de trazer o protagonismo da Lava Jato de volta aos holofotes dividiu opiniões nos bastidores de Brasília:Posição da Campanha de Flávio Bolsonaro: Defende que a presença de Dallagnol — que atuou como coordenador e porta-voz da força-tarefa em Curitiba — garante o rigor técnico necessário para desconstruir narrativas contábeis e identificar possíveis omissões patrimoniais da família do presidente.
Posição da Campanha de Lula: Coordenadores petistas classificaram a indicação do ex-procurador como uma "manobra de distração" eleitoral. Integrantes do PT apontam que a movimentação visa desviar o foco público das investigações da Polícia Federal (PF) que envolvem contas vinculadas a Flávio e ao advogado Willer Tomaz.
Contexto eleitoral acirrado
O ressurgimento de personagens emblemáticos da Lava Jato ocorre a meros três dias da votação decisiva. De acordo com as últimas pesquisas do instituto PoderData/Aya, a disputa pela Presidência encontra-se em situação de empate técnico severo, registrando 51% a 49% nas intenções de votos válidos.
Especialistas jurídicos ressaltam que, embora o cruzamento de dados possa alimentar discursos políticos no rádio e na televisão até o dia da eleição, qualquer indício real de crime financeiro que venha a ser detectado por Dallagnol precisará seguir os ritos formais do Judiciário, sendo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a abertura de novos inquéritos legais.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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