A Petrobras aumentou, a partir desta quinta-feira, 1, o preço de venda do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras.

Nas principais bases de abastecimento, a alta chega a 12% em Duque de Caxias (RJ). Em Guarulhos (SP) e Betim (MG), o reajuste foi de 11,6%, segundo cálculos feitos a partir da tabela de preços da estatal.

O novo aumento ocorre depois de uma forte escalada do custo do combustível ao longo de 2026.

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Em setembro, a Petrobras havia elevado o preço médio do QAV em 13,9%, depois de uma alta de 1,9% em agosto.

Em abril, o reajuste chegou a 55%, seguido por nova alta de 18% em maio. Houve reduções em junho e julho, em meio a uma melhora temporária das condições no mercado internacional, mas os preços voltaram a subir nos meses seguintes.

A Petrobras atribui os movimentos às cotações internacionais do querosene e às tensões no Oriente Médio. Embora o Brasil seja produtor de petróleo, derivados como o QAV são commodities negociadas internacionalmente.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha, inclusive, preços de paridade de importação que consideram o valor do produto no exterior, frete, movimentação, armazenamento e outros custos.

Como funciona o reajuste

O preço cobrado pela Petrobras das distribuidoras não é reajustado diariamente. A estatal utiliza uma fórmula contratual que considera as condições do mercado internacional e o câmbio, com atualização mensal.

O mecanismo procura reduzir a transmissão imediata das oscilações internacionais para o mercado brasileiro.

A Petrobras vende o QAV diretamente às distribuidoras, que fazem o transporte até os aeroportos e revendem o combustível às companhias aéreas.

O mercado é aberto a outros produtores e importadores, embora a estatal concentre a maior parte da oferta doméstica. Estudo técnico da ANP apontou que a Petrobras respondeu por mais de 90% das entregas de QAV no Brasil nos anos de 2023 e 2024.

Para reduzir o impacto financeiro de períodos de forte volatilidade, a Petrobras também vem permitindo o parcelamento de reajustes pelas distribuidoras. Em setembro, por exemplo, o aumento poderia ser pago em três parcelas mensais. Medidas semelhantes foram adotadas durante a disparada dos preços no primeiro semestre.

Combustível pesa nas contas das aéreas

A sequência de reajustes aumentou significativamente o peso do combustível na estrutura de custos das empresas aéreas brasileiras.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o QAV passou a representar 39% dos custos operacionais das companhias, ante 32% antes da escalada provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Em agosto, a entidade estimava em R$ 5,2 bilhões o gasto adicional das empresas com combustível em relação ao que havia sido projetado antes da guerra.

A pressão sobre as despesas ocorre em um setor que já enfrenta dificuldades financeiras.

O encarecimento do combustível foi um dos fatores considerados nas medidas de apoio ao transporte aéreo adotadas neste ano, incluindo linhas de crédito destinadas às companhias.

Para as empresas, porém, o repasse de custos para as tarifas depende também da demanda, da concorrência entre companhias, da ocupação dos voos e da estratégia comercial de cada empresa. Por isso, um aumento do QAV não significa que as passagens subirão na mesma proporção.

Passagens já ficaram mais caras

O impacto sobre o consumidor, contudo, já aparece nos índices de inflação.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, mostrou alta de 9,82% nas passagens aéreas em setembro. O item foi um dos principais responsáveis pela alta de 0,60% do grupo Transportes no período.

O movimento ocorre em um momento de pressão mais ampla sobre os preços de energia e combustíveis. O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, acumulando alta de 4,47% em 12 meses. A passagem do aumento do QAV para as tarifas, no entanto, tende a ocorrer de forma diferente conforme a rota e a política comercial das empresas.

O novo reajuste do QAV, portanto, acrescenta mais um componente de custo às companhias aéreas em outubro, depois de um ano marcado por grandes oscilações do combustível. A evolução das cotações internacionais do petróleo e do querosene continuará sendo determinante para os próximos reajustes.

FONTE/CRÉDITOS: Veja