Pedágio Digital nasceu para solucionar gargalos de uma nova era nas rodovias brasileiras, a do free flow, segundo o CEO da empresa, Rodrigo Zambon. Joint venture criada pelas concessionárias Motiva e Ecorodovias, a plataforma tem um propósito maior.

"O primeiro elemento fundamental para o sucesso da Pedágio Digital é a interoperabilidade. "Devemos ser capazes de conquistar a adesão das concessionárias", afirma o executivo em entrevista exclusiva ao EXAME Infra.

Lançada pelas duas maiores concessionárias de rodovias do país, que, somadas, são responsáveis por mais de 10 mil quilômetros de estradas, a Pedágio Digital foi concebida inicialmente com o objetivo simples de se tornar uma plataforma de mobilidade rodoviária.

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A proposta vai além do pagamento de tarifas via aplicativo: a empresa pretende integrar concessionárias, simplificar a experiência dos motoristas e ajudar o setor a enfrentar os desafios trazidos pela expansão do free flow.

Segundo Zambon, o avanço do novo modelo de cobrança exige que diferentes concessionárias consigam oferecer uma experiência unificada ao motorista.

"O nosso objetivo é ter todas as concessionárias dentro desse sistema. É uma meta ambiciosa, mas podemos dizer com segurança que queremos ter uma participação relevante no setor. Se conseguirmos ter todas, ótimo. Esse é o nosso trabalho de execução agora", afirma.

Pela regulamentação, cada nova concessão com free flow precisa disponibilizar uma solução digital para consulta de passagens, pagamento de tarifas, acionamento de serviços de emergência e recebimento de informações de trânsito.

Para o executivo, desenvolver uma plataforma capaz de atender diferentes operadores, com baixo custo tecnológico e uma experiência intuitiva para o usuário, será determinante para consolidar esse mercado.

"A ideia é que o usuário utilize a plataforma antes de entrar na concessão, durante a viagem e continue sendo usuário depois que sair dela", diz.Os gargalos do free flowA estratégia da companhia também passa por resolver um dos principais gargalos do free flow: a dificuldade de parte dos usuários em acompanhar e quitar as tarifas após a passagem pelos pórticos.

Para Zambon, as soluções disponíveis do aplicativo beneficiam tanto o motorista, que evita multas e regulariza débitos, quanto as concessionárias, que recuperam receitas, e os reguladores, que reduzem riscos de desequilíbrios econômicos nos contratos.

Embora tenha iniciado as operações há poucos meses, a plataforma já reúne mais de um milhão de usuários cadastrados, segundo o executivo, sem investimentos em campanhas de marketing.

Para ele, o número evidencia uma demanda reprimida por soluções digitais capazes de concentrar informações sobre pedágios eletrônicos em um único ambiente.

Outro desafio apontado por Zambon é a educação do usuário. Na avaliação do executivo, boa parte das dificuldades observadas desde a implantação do free flow decorre do fato de a tecnologia ainda estar em fase inicial de adoção. Por isso, a empresa pretende intensificar campanhas explicativas para mostrar como funciona o novo sistema e orientar os motoristas sobre formas de pagamento.

"Nós temos um papel muito importante na educação do usuário. Precisamos contar essa história de maneira gradual e verdadeira, mostrando como funciona esse novo modelo", disse o CEO.

O futuro das rodovias brasileiras

Além da comunicação, a companhia participa de todos os grupos técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) voltados ao tema, contribuindo com discussões sobre a evolução da regulamentação e da digitalização do setor. Segundo Zambon, a meta é ajudar a construir um ambiente em que tecnologia, concessionárias e reguladores avancem de forma coordenada para reduzir atritos na jornada do motorista.

Para isso, a empresa aposta em uma estrutura baseada em inteligência artificial e desenvolvimento digital desde a origem. Em vez de concentrar todas as soluções internamente, o modelo prevê integração com parceiros especializados para acelerar a criação de novas funcionalidades e automatizar processos, como conciliação de pagamentos e recuperação de receitas.

"O nosso trabalho diário é eliminar as fricções existentes para que, no futuro, o usuário simplesmente viaje, sem precisar pensar em como o sistema funciona", afirma o executivo.

FONTE/CRÉDITOS: Exame