A principal demanda dos moradores do Pará que vivem às margens da BR-230 não é pela construção da rodovia, mas sim pelo asfaltamento e conclusão das obras. Construída há mais de 50 anos durante a ditadura militar, a Rodovia Transamazônica permanece majoritariamente inacabada e sem pavimentação em diversos trechos, gerando constantes protestos e cobranças da população local por infraestrutura digna.
A realidade da região envolve os seguintes pontos principais:
• Insatisfação com a infraestrutura: Os moradores relatam conviver diariamente com poeira intensa na seca e isolamento causado por atoleiros no período de chuvas. Relatos locais apontam que trajetos curtos de caminhão, como os 90 km entre os municípios paraenses de Uruará e Medicilândia, chegam a demorar até 9 horas. Isso dificulta o escoamento da produção agrícola e o socorro médico de emergência.
• Cobrança política: Vídeos e desabafos recentes de moradores da Transamazônica criticam o histórico de promessas eleitorais não cumpridas por diferentes governos. Há uma queixa frequente de que a rodovia só ganha atenção em períodos de campanha política.
• Previsões de pavimentação: O Ministério dos Transportes planejou o início das obras de pavimentação de trechos críticos (mais de 200 km em estradas de chão no sudoeste do Pará) para 2026. O projeto do Lote 2 da BR-230 — que engloba municípios como Rurópolis, Placas e Uruará — avançou para fases de licitação com investimentos previstos em quase R$ 1 bilhão, trazendo a expectativa de asfaltamento de cerca de 125 km na região.
• Conflitos socioambientais: Além da infraestrutura de transporte, comunidades ao longo da BR-230 enfrentam disputas sobre indenizações e ocupações de faixas de domínio gerenciadas pelo DNIT, além de embates entre órgãos ambientais e produtores locais.