O principal indicador da qualidade da educação brasileira registrou o melhor resultado da série histórica no ano passado, mostrou o relatório divulgado nesta quarta-feira, 4. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 apresentou as notas mais altas e o maior aumento acumulado desde 2005. Ao todo, 3.256 municípios ficaram acima da média nacional (6,0), um aumento de cerca de 34% em comparação a 2023, nos anos iniciais do Ensino Fundamental — ou seja, do 1º ao 5º ano.

“Mostramos que, após 20 anos, a escola brasileira conseguiu, ao mesmo tempo, melhorar o acesso, melhorar a trajetória desses estudantes, melhorando o fluxo, e melhorar a proficiência. Isso nos permite agora, resolvidos em parte todos esses três problemas, focar, de fato, no próximo período, na aprendizagem e na proficiência dos nossos estudantes, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio”, afirmou o ministro da Educação, Leonardo Barchini, em coletiva de imprensa.

O Ideb relaciona o desempenho dos estudantes em avaliações externas de larga escala e os dados de fluxo escolar (taxa de aprovação), tendo como objetivo monitorar o desempenho das escolas e redes de ensino. Tanto instituições públicas quanto particulares fazem parte do cálculo. O índice varia de 0 a 10, o que significa que quanto melhor o desempenho dos alunos e mais elevado o percentual de aprovação, maior será a nota. No todo, avalia os anos iniciais, anos finais (6° ao 9° ano) e ensino médio (1° ao 3° ano, quando é prestado o vestibular).

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Nos anos iniciais, a maioria das matrículas estão concentradas na rede municipal de ensino, com 10,2 milhões de alunos. Cerca de 2,8 milhões de estudantes estão em escolas privadas, ao passo que 7 mil estão na rede federal. ParanáCeará e Santa Catarina concentram os melhores desempenhos quando todas as redes são levadas em consideração. Já no ensino público, Paraná e Ceará aparecem no topo do ranking, enquanto Santa Catarina e São Paulo aparecem empatados.

A rede municipal também concentra o maior número de matrículas do 6° ao 9° ano. São 4,9 milhões de alunos. Na sequência, a rede estadual surge com 4,3 milhões de estudantes. A rede privada ocupa o terceiro lugar, com 1,9 milhões, sendo seguida pelos 16 mil dos institutos federais. Essa etapa, no entanto, apresenta uma média geral menor em comparação aos anos iniciais, em 5,3. Acima dela, está o Paraná, que ainda ocupa a liderança no cenário total. É seguido por um empate entre Ceará e Goiás. A média é ainda menor na rede pública, em 5,0. O ranking dos estados se repete, com uma leve variação nos números.

Gráfico de barras e linha mostrando o Ideb do Ensino Fundamental Anos Finais no Brasil de 2005 a 2025. As barras amarelas representam o Ideb, que cresce de 3,5 em 2005 para 5,3 em 2025. A linha laranja mostra as Metas do Ideb, subindo de 3,5 em 2005 para 5,5 em 2021, mantendo-se até 2025
Ideb: anos finais (Inep/Divulgação)

O ensino médio desponta como o maior desafio. São 6 milhões de estudantes na rede estadual, à frente do 1 milhão de matrículas na privada. Na ordem, são 251 mil na federal e 36 mil na municipal. Na avaliação que abrange todas as escolas, Paraná mantém a primeira colocação, com Pernambuco logo atrás. A terceira posição é compartilhada por Espírito Santo e Rio Grande do Sul (4,9). A média geral é de 4,5 — abaixo, portanto, da meta de 5,2 do Ideb.

Gráfico de barras e linha mostrando o Ideb do Ensino Médio no Brasil de 2005 a 2025. As barras azuis representam o Ideb, que cresce de 3,4 em 2005 para 4,5 em 2025. A linha laranja mostra as Metas do Ideb, subindo de 3,4 em 2005 para 5,2 em 2021, mantendo-se até 2025
Ideb: ensino médio (Inep/Divulgação)

Falta de domínio de português e matemática

O Ideb também calculou o nível de proficiência dos alunos dos anos iniciais, anos finais e ensino médio em língua portuguesa e matemática. Embora o índice tenha registrado melhoras em todas as etapas de ensino, o panorama é preocupante nas redes pública e privadas. Os avanços, ainda tímidos, mostram um cenário de falta de domínio nas duas disciplinas.

Os estudantes do 5° ano estão no nível 4 de proficiência em português. Isso significa que são capazes de reconhecer informações explícitas em diferentes gêneros textuais, identificar relações de causa e consequência e comparar textos, detectando assuntos em comum. Não conseguem, contudo, diferenciar opinião de fato em reportagens, apontar informações explícitas em contos e interpretar linguagem verbal e não verbal em histórias em quadrinhos.

O cenário é um pouco melhor em matemática, matéria em que alcançam o nível 5. Podem resolver problemas envolvendo medidas de tempo, comprimento e sistema monetário, além de realizar operações com números naturais e decimais (adição, subtração, multiplicação e divisão). Também têm habilidade para solucionar problemas com frações simples, metade e triplo. Mas ainda não conseguem reconhecer polígonos em composições geométricas, calcular porcentagens simples (25% e 50%) e comparar dados em tabelas e gráficos.

Já no 9° ano, ocupam o nível 3 em língua portuguesa, com aptidão para analisar o significado de palavras e expressões pelo contexto e identificar elementos da narrativa e a finalidade de gêneros textuais. Podem também indicar o sentido de conjunções, advérbios e da linguagem verbal e não verbal. No entanto, não são capazes de analisar recursos expressivos, como polissemia, pontuação, humor e ironia, e compreender informações implícitas e intenções do autor em textos literários e jornalísticos.

Também ficam no nível 3 em matemática. Estão preparados para resolver problemas com números inteiros em diferentes operações e situações práticas, analisar relações de proporcionalidade direta e interpretar diferentes formas de representação de dados, como gráficos de setores e gráficos de linha com múltiplas informações. Aqui, não sabem converter unidades de medida de comprimento e solucionar situações com números racionais e inteiros, incluindo valores negativos e decimais.

“Conseguimos retomar o patamar anterior à pandemia, o que não é trivial. Antes da Covid-19, estávamos em um lugar que não gostávamos de estar, mas ainda assim, é importante recuperar os anos perdidos”, explicou a vice-presidente de relações institucionais da Fundação Lemann, Daniela Caldeirinha, a VEJA.

“A curva do Fundamental 2 se movimentou. Faz tempo que não se via a curvinha se mexer. Nos anos finais, observamos melhoras no rendimento aferido pelo Saeb em língua portuguesa e matemática. Isso é uma boa notícia porque começamos a ter um olhar mais estratégico para esse segmento, entre 6° e 9° ano, tão desafiador da educação básica”, acrescentou.

O desempenho é mais delicado no ensino médio, quando estão às vésperas de deixar a escola para o mercado de trabalho. Nessa fase, os alunos estão entre os níveis 2 e 3 em português e em matemática. Não têm habilidade para relacionar argumentos à ideia central do texto, localizar informação explícita em resumos e reconhecer a finalidade de reportagens, resenhas e artigos. Também não sabem calcular e interpretar medidas de figuras espaciais, incluindo áreas de superfícies e volumes de sólidos, e relacionar diferentes representações matemáticas, como gráficos, tabelas, expressões algébricas e equações. O horizonte é alarmante.

 

FONTE/CRÉDITOS: Veja