A eleição brasileira é tratada pela imprensa internacional como uma disputa decisiva para o futuro político do país e com consequências que ultrapassam suas fronteiras.

The Guardian, Le Monde, El País, The Washington Post, Associated Press e Al Jazeera destacam a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro e a possibilidade de uma eleição apertada, provavelmente decidida no segundo turno.

O Le Monde chama atenção para uma campanha considerada morna e para a incerteza do resultado, mas identifica uma dimensão geopolítica incomum: o receio de interferência dos Estados Unidos e a possibilidade de uma vitória de Flávio aproximar o Brasil da órbita de Donald Trump.

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O El País também enquadra a eleição no avanço da direita na América Latina e na disputa entre um Lula que se apresenta como defensor da democracia e da soberania nacional e um Bolsonaro que representa a continuidade do campo conservador.

O Guardian dá ainda mais peso à dimensão regional. O jornal vê o Brasil como uma das últimas grandes barreiras à onda de governos de direita que avançou pela América Latina e considera uma eventual vitória de Flávio relevante para a estratégia de Trump de ampliar a influência americana no hemisfério.

A AP também destaca o contraste entre os dois candidatos: Flávio como aliado de Trump e defensor de maior aproximação com Washington, enquanto Lula aprofundou os vínculos do Brasil com a China.

A cobertura internacional também registra o desgaste dos dois lados. Al Jazeera e Le Monde destacam a força da rejeição, os escândalos de corrupção, a crise envolvendo o Judiciário e a insatisfação com a economia e o custo de vida. Para esses veículos, esses fatores tornam a eleição imprevisível, embora a polarização tenha impedido que os episódios das últimas semanas produzissem mudanças significativas nas pesquisas.

O ponto comum entre as análises é que a eleição não é vista apenas como uma escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado poderá definir o posicionamento do Brasil diante de Washington, China e Brics e alterar o equilíbrio político da América Latina. Ao mesmo tempo, a proximidade entre os candidatos e a elevada rejeição dos dois mantêm aberta a possibilidade de uma disputa particularmente apertada no segundo turno.

FONTE/CRÉDITOS: Valor Econômico