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O município de Quixeramobim, no Sertão Central, avançou nas tratativas para viabilizar a construção do seu complexo aeroportuário privado. A gestão municipal negocia com o Grupo Aeropark Camboriú, de Santa Catarina, para que assuma o projeto.
A empresa já conduz um empreendimento integrado de terminal aeroviário e Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Camboriú (SC).
Com a Transnordestina como âncora dos principais investimentos feitos na cidade do Sertão do Ceará nos últimos anos, a instalação de uma ZPE já faz parte dos planos locais e um aeroporto vem para consolidar os planos de polo logístico regional do Município.
As informações foram confirmadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Afrânio Feitosa, em entrevista
Durante o encontro ocorrido nesta terça-feira, 8, o projeto de Quixeramobim foi apresentado formalmente para viabilizar a estrutura no Ceará.
O objetivo da gestão municipal é atrair o grupo empresarial e outros investidores privados para replicar no sertão cearense o modelo do equipamento catarinense, que reúne aeroporto e ZPE.
Feitosa informou ainda que uma segunda reunião está agendada para alinhar as solicitações e exigências mútuas entre o município e o grupo de Santa Catarina. Os detalhes da tratativa não foram revelados.
Investidores locais e internacionais
A prefeitura também estuda a participação de empresários locais do Sertão Central em sociedade com o grupo catarinense para financiar e operar o empreendimento.
"Tivemos um encontro com os diretores do Aeropark Camboriú. Eles estão fazendo não só uma ZPE lá em Santa Catarina, mas também o aeroporto. Apresentamos o nosso projeto para receber esse equipamento e vamos avançar nas negociações. A ideia é que seja no mesmo formato de Camboriú", reforçou Feitosa.
O secretário revelou, no entanto, que os investidores catarinenses não são os únicos interessados no Aeroporto de Quixeramobim.
Há conversas paralelas, segundo ele, entre o Município e outros grupos nacionais e estrangeiros — incluindo investidores da Espanha —, cujos nomes são mantidos sob sigilo por acordos de confidencialidade.
Modelo de negócio e concorrência regional
Diferentemente da malha pública gerenciada pelo Governo do Estado — que conta com 11 aeroportos regionais, com destaques comerciais para Juazeiro do Norte, Sobral, Cruz e Aracati —, a estrutura em Quixeramobim nascerá 100% privada.
A contrapartida municipal prevê a doação do terreno onde o equipamento será instalado. Conforme antecipado pelo O POVO, o local já teve os levantamentos topográficos concluídos.
A área fica próxima ao Porto Seco, ao Terminal Multimodal e Multipropósito de Cargas José Dias de Macêdo e à ZPE local, mas a localização exata é mantida em segredo por motivos estratégicos.
"No caso de Quixeramobim, não existe leilão. O nosso projeto é desde o início com a iniciativa privada. O município entra com a parceria na doação da área, e os investidores vão construir e administrar todo o complexo aeroportuário", ressaltou o secretário.
O projeto prevê uma pista de 1,8 mil metros em uma área de 70 hectares — equivalente a cerca de 98 campos de futebol oficiais —, com capacidade para operar aeronaves comerciais bimotores de grande porte, como o Boeing 737.
De acordo com ele, as negociações buscam atender a um público potencial de 750 mil a 800 mil habitantes distribuídos em 22 municípios no raio de 50 quilômetros da região.
"É uma capacidade grande que vai atender o mercado regional como um todo. É um projeto ousado, mas são investimentos estruturantes que o município, o Ceará e o Nordeste já comportam e exigem. Um aeroporto traz um progresso absurdo para a região", destacou o gestor
Polo logístico, transporte de cargas e impacto econômico
O equipamento é visto como peça-chave para impulsionar o transporte de passageiros e o escoamento de cargas na região.
O gestor enfatiza que caberá aos investidores analisar a viabilidade do aeroporto para o fluxo logístico, reforçando a integração direta com a ZPE e o Porto Seco.
Afrânio Feitosa reconhece que a aviação não gera um volume massivo de empregos diretos como as indústrias tradicionais, mas defende o investimento pelo "efeito multiplicador" e pelo impacto indireto na economia regional.
"Quando um empresário vai investir, é porque ele detecta que a região é propícia. O nosso trabalho como município é despertar o interesse desses investidores e mostrar que temos condições", concluiu Feitosa.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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