O município de Guaraciaba do Norte, situado no topo da Serra da Ibiapaba, consolidou-se oficialmente como a maior potência na produção de pimentão do Brasil.

De acordo com dados inéditos publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade cearense alcançou a expressiva marca de 35 mil toneladas colhidas, isolando-se no topo do ranking nacional. 

O feito ganha ainda mais relevância pelo tamanho da vantagem:

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Guaraciaba do Norte produz quase o dobro do segundo colocado, o município de São Miguel Arcanjo (SP), que registrou 18 mil toneladas. Brasília (DF) fecha o pódio nacional com 15,3 mil toneladas. 

O Top 5 dos Municípios Produtores de Pimentão no Brasil

Posição Município / Estado Produção Anual (Toneladas)
1º Guaraciaba do Norte (CE) 35.000
2º São Miguel Arcanjo (SP) 18.000
3º Brasília (DF) 15.300
4º Itapeva (SP) 10.800
5º São José dos Pinhais (PR) 10.000

O segredo por trás do sucesso na Serra da Ibiapaba

A receita do sucesso une fatores climáticos privilegiados e tecnologia aplicada ao campo.

Localizada em uma região com solo fértil, alta disponibilidade de água e temperaturas amenas devido à altitude, a Serra da Ibiapaba oferece o microclima ideal para o cultivo de frutas, legumes e verduras (FLV). 

Nos últimos anos, os agricultores locais trocaram o cultivo tradicional a campo aberto por estufas tecnológicas e sistemas modernos de manejo e controle biológico.

Segundo dados de mercado, enquanto o cultivo comum exige cuidados severos, o uso de cultivo protegido e irrigado na região consegue maximizar a sanidade das plantas, resultando em frutos de altíssima qualidade visual e nutricional. 

Alto valor agregado atrai investidores

O pimentão — especialmente as variedades coloridas (amarelo e vermelho) — transformou-se em sinônimo de alta rentabilidade. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, o investimento na cultura se justifica pelo retorno financeiro. 

"O pimentão é um produto de muito valor agregado. Um hectare de estufa, seja de pimentão ou de tomate, representa um faturamento de aproximadamente R$ 500 mil a R$ 800 mil, enquanto um hectare de milho tradicional representa cerca de R$ 10 mil", aponta o presidente da Faec. 

Ceará no cenário nacional

Com o avanço da produção em Guaraciaba do Norte e municípios vizinhos, o Ceará alcançou a vice-liderança brasileira no cultivo do pimentão, somando 72,5 mil toneladas e liderando com folga na região Nordeste. O impulsionamento tecnológico e a expansão das estufas consolidam a região como um polo verde estratégico para o agronegócio nacional.