O Projeto Grand Réseau, um megaempreendimento de data center orçado em R$ 700 bilhões, está enfrentando um impasse burocrático no Ceará devido ao atraso de mais de 200 dias na liberação do Termo de Anuência.

O projeto pertence à Grand Réseau Holding Ltda., braço do grupo francês Qair. O complexo está planejado para ser instalado em um terreno contíguo ao Porto do Pecém, em uma área reservada para a expansão da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. 

O Gargalo Burocrático

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Para que a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) possa emitir a licença ambiental prévia, o projeto necessita obrigatoriamente do Termo de Anuência. De acordo com documentos enviados pela empresa à Prefeitura de São Gonçalo do Amarante e a órgãos estaduais, o processo está parado na administração do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e na ZPE Ceará.

O impasse gerou forte repercussão política no estado:

Cobrança na Assembleia: O deputado estadual Cláudio Pinho (PSDB) apresentou requerimentos cobrando explicações oficiais da ZPE Ceará sobre a lentidão da análise e alertando sobre o risco de o grupo francês retirar os investimentos do estado.

Posição dos órgãos: A administração da ZPE confirmou que o pedido está em tramitação e na fase final de conclusão pelo CIPP.

Impacto Ampliado

O atraso não afeta apenas o processamento de dados. O documento da empresa revela que o travamento dessa autorização impacta diretamente outros 16 projetos de armazenamento de energia em baterias (BESS) acoplados ao plano, que totalizam 480 MW de potência e dependem da mesma infraestrutura regulatória para avançar.

O Cenário dos Data Centers no Ceará

O Ceará vive uma corrida para se consolidar como o principal hub tecnológico e de Inteligência Artificial da América Latina. O impasse da Qair ocorre em paralelo a outras grandes movimentações no mesmo complexo: 

Aprovação da Voltalia: Recentemente, a também francesa Voltalia obteve aprovação do Conselho Nacional das ZPEs (CZPE) para erguer seu próprio data center de R$ 181,7 bilhões no Pecém. 

Projeto da ByteDance/TikTok: O projeto da Omnia Data Centers (ligado à ByteDance) segue em obras na região, com previsão de alcançar R$ 200 bilhões em investimentos. 

Flexibilização da Lei: Em resposta à alta demanda, o governo estadual aprovou uma nova lei que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental para data centers. No entanto, a medida gerou protestos de entidades ambientais e comunidades indígenas (como o povo Anacé), preocupados com o massivo impacto cumulativo no consumo de água e energia elétrica da região. 

FONTE/CRÉDITOS: Nixson Pedrosa