A alta no faturamento do Grupo Globo (R$ 18,2 bilhões em 2025) e o consequente crescimento da fortuna da família Marinho (avaliada em R$ 65,7 bilhões em 2026) são impulsionados predominantemente pelo mercado publicitário privado e pela forte expansão digital da empresa.

Embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenha, de fato, alterado a distribuição de verba publicitária estatal em favor da emissora em comparação com a gestão anterior, os dados financeiros oficiais mostram que o dinheiro público federal representa uma fração muito pequena no faturamento total do grupo. 

A seguir, veja os detalhes técnicos de como esse dinheiro se divide e os reais motivos por trás do crescimento da empresa:

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O Peso da Publicidade Governamental no Faturamento

É um fato documentado que o governo Lula aumentou os repasses para o Grupo Globo. De acordo com levantamentos baseados em dados da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência): 

  • Valores recebidos: Entre janeiro de 2023 e junho de 2026, o Grupo Globo recebeu cerca de R$ 267 milhões em contratos diretos de publicidade da Secom. 

  • A fatia da Globo no governo: A emissora passou a concentrar cerca de 25,6% da verba total da Secom para mídias, retomando a liderança que havia perdido no governo de Jair Bolsonaro (quando os critérios de partilha priorizavam outras redes como Record e SBT). O argumento técnico do governo atual para essa mudança é o critério de audiência e alcance de mercado, já que a Globo continua sendo a líder isolada do setor no país. 

  • Proporção Real: Apesar de R$ 267 milhões ser uma cifra alta para os padrões do cidadão comum, quando diluída nos anos do mandato, o repasse anual médio da Secom gira em torno de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões. Frente ao faturamento total da emissora de R$ 18,2 bilhões em um único ano (2025), a verba publicitária direta do governo federal representa menos de 1% das receitas do grupo. Mesmo somando campanhas de ministérios específicos (como Saúde) e estatais, o montante não é o fator decisivo para a guinada bilionária. 


Os Reais Motores da Alta de 11% do Grupo Globo

Se o dinheiro do governo federal não é a principal causa, o que explica o crescimento?

O balanço financeiro do grupo aponta para fatores comerciais e estruturais: 

  • Recuperação do Mercado Privado: A maior fatia da receita do grupo vem de grandes anunciantes privados (bancos, redes de varejo, marcas de consumo, plataformas de apostas, automotivas, etc.). Só a receita estritamente publicitária geral da Globo cresceu 15% em 2025, atingindo R$ 12,546 bilhões. 

  • A Força do Streaming e Digital: O ecossistema digital do grupo (Globoplay, portais g1, ge, gshow) amadureceu e se consolidou como uma forte fonte de assinaturas e anúncios segmentados. 

  • Projetos Comerciais de Grande Porte: Eventos esportivos internacionais, realities (como o Big Brother Brasil) e novelas de grande apelo comercial (como o remake de Vale Tudo em 2025) bateram recordes de cotas de patrocínio privado vendidas antecipadamente. 


A Fortuna da Família Marinho em 2026

O reflexo desse desempenho comercial aparece diretamente na atualização do patrimônio dos três irmãos herdeiros, divulgado pela Forbes Brasil

  • Patrimônio Somado: Roberto Irineu (R$ 17,5 bilhões), João Roberto (R$ 24,1 bilhões) e José Roberto Marinho (R$ 24,1 bilhões) totalizam R$ 65,7 bilhões. 

  • Diversificação além da TV: Além de colherem os lucros gerados pela própria emissora (que fechou o ano anterior com quase R$ 1,5 bilhão de lucro líquido e R$ 9,5 bilhões em caixa disponível), a família expandiu seu patrimônio criando frentes de investimento em startups e negócios no exterior por meio da Globo Ventures, diminuindo a dependência exclusiva da TV aberta. 

Em resumo: O alinhamento técnico de mídia do governo Lula garantiu à Globo um retorno expressivo de verbas oficiais de publicidade (por ser a maior em audiência), gerando debates frequentes sobre a relação entre o Estado e a imprensa. Contudo, matematicamente, o motor que gerou o salto de R$ 18,2 bilhões em receita no ano de 2025 foi o consumo e o investimento das empresas privadas e a eficiência das novas mídias digitais do grupo.