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Por Redação
Uma lição sobre o tempo, os negócios e o erro fatal de subestimar os pequenos. No auge de seu poder, o empresário Geraldo Bordon controlava um império colossal. Filho de imigrantes italianos, sua trajetória começou de forma humilde, com um pequeno açougue em Sumaré, no interior de São Paulo.
Nos primeiros dias, Bordon abatia um boi de cada vez e entregava linguiças de carroça nas cidades vizinhas. Com trabalho duro e faro comercial, ele fundou o Frigorífico Bordon em 1960.
Décadas mais tarde, comprou a gigante americana Armour e consolidou sua dinastia: sua empresa passou a abater 7% de todo o gado do Brasil, empregava 7 mil funcionários e exportava carne para a Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.
O sucesso de Geraldo era tão estrondoso que ele era visto como um visionário à frente de seu tempo. Anos mais tarde, Wesley Batista, um dos nomes fortes da JBS, chegou a defini-lo como o "Steve Jobs da indústria da carne".
Mas no topo do mundo, o excesso de confiança pode se tornar uma armadilha invisível.
O encontro de 1991 e a xícara que tremia
O ano era 1991. O império Bordon parecia inabalável quando dois rapazes do interior de Goiás, completamente desconhecidos no eixo Rio-São Paulo, conseguiram agendar uma reunião com o grande magnata. Eles queriam propor parcerias e aprender com o líder do mercado.
Ao entrarem na imponente sala da presidência, o nervosismo dos jovens era evidente. Diante do "Rei da Carne", o respeito misturava-se ao medo. Um dos rapazes tremia tanto que mal conseguia segurar a xícara de café, que batia contra o pires fazendo barulho.
Geraldo Bordon, olhando aquela cena de cima, não viu ali nenhum potencial. Julgando os rapazes pela aparência e pela timidez, rejeitou as propostas e encerrou o encontro. Para o bilionário, aqueles dois jovens de Goiás não passavam de meros figurantes no mercado da carne.
O que o empresário não sabia é que o rapaz que tremia era Wesley Batista, acompanhado de seu irmão, Joesley.
A reviravolta do destino
O tempo é um juiz implacável no mundo corporativo. Nos anos seguintes, uma combinação de crises econômicas, endividamento e problemas de gestão começou a sufocar o Frigorífico Bordon. Em 1999, incapaz de honrar seus compromissos, o outrora indestrutível império pediu concordata judicial.
Enquanto a Bordon definhava, os dois rapazes de Goiás — que haviam aprendido a lição do silêncio e do trabalho duro na Friboi (posteriormente JBS) — expandiam seus negócios de forma agressiva e estratégica.
Em 2000, exatamente nove anos após aquela reunião humilhante, o mercado assistiu a uma das maiores ironias da história empresarial brasileira: a Bordon, quebrada e endividada, foi comprada justamente pelos irmãos Wesley e Joesley Batista.
A maior lição: nunca despreze ninguém
A compra da Bordon foi o trampolim que projetou a JBS para se tornar, anos mais tarde, a maior produtora de proteínas do mundo.
Os papéis haviam se invertido completamente. Aqueles que antes não conseguiam segurar uma xícara de café por timidez acabaram assumindo as rédeas do império do homem que os subestimou.
A saga de Geraldo Bordon e Wesley Batista deixa uma lição moral e de negócios que ecoa além das salas de reunião: o mercado é dinâmico, a riqueza é volátil e o status é temporário.
Desprezar alguém por estar por baixo, por ser iniciante ou por demonstrar vulnerabilidade é o caminho mais rápido para assinar a própria decadência. Afinal, a pessoa que hoje treme diante de você pode ser a mesma que, amanhã, estenderá a mão para comprar os seus destroços.
A reviravolta do destino
Hoje, os irmãos Batista controlam a maior processadora de proteína animal do mundo e a marca Bordon pertence à JBS. Como ironia máxima do destino, a sede da JBS foi instalada exatamente no mesmo prédio na Marginal Tietê onde Wesley e Júnior um dia tremeram de nervoso diante de seu ídolo.
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