A arrecadação federal registrou crescimento real de 9% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e alcançou R$ 289,3 bilhões, o maior resultado para o período desde o início da série histórica, em 1995.

O avanço foi impulsionado, principalmente, pelo aumento da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e pela cobrança do imposto de exportação sobre petróleo bruto.


Os dados foram divulgados, nessa terça-feira (25), pela Receita Federal. No acumulado de janeiro a julho, as receitas federais somaram R$ 1,8 trilhão, alta real de 7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O desempenho reforça o ganho de arrecadação do governo em um ano marcado pela tentativa de cumprimento das metas fiscais previstas no arcabouço.
O IOF, elevado pela equipe econômica no ano passado como parte das medidas destinadas ao equilíbrio das contas públicas, apresentou crescimento real de 19% na comparação anual.

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Já o imposto de exportação incidente sobre óleo bruto rendeu R$ 3 bilhões apenas em julho. Desde o início do ano, a cobrança já gerou R$ 8 bilhões aos cofres federais.

A tributação sobre o petróleo foi criada em março para compensar medidas de desoneração dos combustíveis adotadas em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio. Instituído inicialmente por medida provisória, o imposto foi prorrogado pela Câmara de Comércio Exterior a partir de 10 de julho, por mais 60 dias.


Outro destaque do mês foi o desempenho das receitas previdenciárias, que cresceram 5,5%. Segundo a Receita Federal, a expansão está relacionada ao aumento real de 5,3% da massa salarial em junho de 2026 na comparação com igual mês do ano passado, refletindo o comportamento do mercado formal de trabalho.


O resultado positivo da arrecadação ocorre em um momento de forte atenção sobre a trajetória fiscal. A meta estabelecida para este ano é de superávit de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, entretanto, permite uma margem de tolerância equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que possibilita ao governo encerrar o exercício com resultado próximo de zero e ainda permanecer dentro do limite formal da meta.


Apesar do desempenho recorde em julho, algumas fontes de receita seguem abaixo das projeções iniciais. A Receita não detalhou quanto foi arrecadado no mês com a tributação dos dividendos. Entre janeiro e junho, essa fonte gerou R$ 2,2 bilhões, montante considerado baixo diante das estimativas previstas originalmente.

A projeção do governo para a arrecadação com dividendos até o fim de 2026 também foi reduzida. A expectativa, que anteriormente era de R$ 28 bilhões, passou para R$ 17,2 bilhões. O Tribunal de Contas da União tem solicitado informações à Receita sobre o desempenho dessa tributação.

O recorde de julho melhora o quadro das receitas, mas não elimina o desafio fiscal. Parte relevante do crescimento decorre de medidas tributárias adotadas recentemente, enquanto algumas receitas apresentam desempenho inferior ao esperado.

 A sustentabilidade do resultado ao longo do ano dependerá tanto da continuidade do crescimento econômico e da massa salarial quanto da efetividade das novas fontes de arrecadação criadas pelo governo.

FONTE/CRÉDITOS: O Estado