Espaço para comunicar erros nesta postagem
O Ceará tem três das dez cidades mais violentas do Brasil, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23), com dados referentes ao ano de 2025. No estado estão o 1º e o 3º municípios mais violentos do país, respectivamente Maranguape e Maracanaú. A cidade de Caucaia ficou em 7º lugar no ranking nacional.
É o segundo ano seguido que as três cidades aparecem no estudo como as três mais violentas do estado e na lista das cidades mais violentas do Brasil com mais de 100 mil habitantes. As três cidades ficam na Região Metropolitana de Fortaleza e são vizinhas entre si.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social ressaltou que os dados são referentes ao ano passado e que, no primeiro semestre de 2026, houve redução da violência nas cidades cearenses citadas pelo estudo.
Conforme a pasta, em Maranguape, a diminuição de mortes por crimes violentos, no primeiro semestre de 2026, foi de 97,4%, com um assassinato registrado, em comparação com os 39 entre janeiro e junho do ano passado. Em Maracanaú, a redução de janeiro a junho de 2026 foi de 90,9%. Já em Caucaia, a redução no mesmo período foi de 56,8%.
Com cerca de 105 mil habitantes, Maranguape volta ao primeiro lugar do ranking como o município com maior taxa de homicídios do Brasil. Em 2025, a cidade registrou uma taxa de 100,03 mortes a cada 100 mil habitantes, a maior entre os municípios pesquisados (e a única com uma taxa superior a 100). Em 2024, a cidade tinha uma taxa de 79,9 mortes por 100 mil habitantes. Um crescimento de 25,1%.
Com 234 mil habitantes, Maracanaú registrou uma taxa de 80,7 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, um número 17% maior que em 2024, quando a taxa foi de 68,5 homicídios a cada 100 mil habitantes. Com o crescimento expressivo, a cidade saiu do 9º lugar entre as mais violentas do Brasil, no ranking de 2024, para o 3º lugar em 2025.
Com 355 mil habitantes, o município de Caucaia registrou uma leve redução na taxa de mortes a cada 100 mil habitantes: 66,6 mortes em 2025 contra 68,9 em 2024. Neste caso, houve uma redução de 3,3%. Apesar disso, Caucaia acabou subindo no ranking nacional, indo da 8ª para a 7ª posição.
Para elaborar o Anuário, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que organiza o levantamento, considera como mortes violentas intencionais (MVI):
- Homicídios dolosos;
- Feminicídios;
- Latrocínios;
- Lesões corporais seguidas de morte;
- Mortes de policiais;
- Mortes decorrentes de intervenções policiais.
Em 2025, o Brasil registrou 40.755 mortes violentas, uma redução de 8,2% em comparação com 2024. Das 27 unidades federativas, apenas sete registraram aumento no número de homicídios. O Ceará teve uma redução de 7,5% no número de homicídios em 2025, mas ainda assim foi o terceiro mais violento do país, segundo o Anuário.
Ceará continua como 3º estado mais violento
Mesmo tendo apresentado redução no número de homicídios, o Ceará foi o terceiro estado mais violento do Brasil em 2025, ainda de acordo com o Anuário. É o segundo ano seguido que o estado aparece nesta posição.
Conforme o estudo, em 2025 o Ceará registrou uma taxa de 34,6 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em primeiro lugar está o Amapá, com uma taxa de 42,5 mortes violentas a cada 100 mil habitantes; e em segundo, a Bahia, com 36,8 mil mortes a cada 100 mil habitantes.
No primeiro semestre de 2026, o Ceará registrou uma redução de 40% no número de homicídios, na comparação com seis primeiros meses do ano anterior, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS).
Em 2025, o Brasil como um todo registrou 40.755 mortes violentas, uma redução de 8,2% em comparação com 2024. Das 27 unidades federativas, apenas 7 registraram aumento no número de homicídios.
O Ceará teve, em números absolutos, 3.021 homicídios em 2025, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. O número é 7,7% menor que em 2024, quando foram registradas 3.272 mortes violentas no estado.
A redução nos números totais foi sentida também na taxa proporcional calculada pelo Anuário. Em 2024, o estado tinha uma taxa de 37,5 homicídios a cada 100 mil habitantes, o que pôs o Ceará em 3º lugar dos mais violentos no ranking daquele ano. Em 2025, o estado encerrou o ano com a taxa de 34,6 homicídios por 100 mil habitantes, e apesar da redução, manteve o 3º lugar.
As conclusões do Anuário de Segurança Pública de 2025:
- Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres foram mortas por dia, em média;
- O Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda de 8% em relação a 2024;
- O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
- Outros indicadores de violência contra a mulher registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025;
- As dez cidades mais violentas no país ficam no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes;
- Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo ocupava essa posição desde 2014;
- As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%;
- Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%;
- Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em 2024;
- A quantidade de adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%);
- O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6% e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil pode bater 1 milhão de presos já em 2027;
- Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido.
Publicado por:
Imprensa Livre do Ceará
Imprensa Livre do Ceará é uma plataforma jornalística dedicada a trazer notícias de qualidade, com foco em informação precisa e atualizada sobre economia, política, tecnologia e tendências do agro no Brasil e no mundo.
Saiba Mais
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se