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O faturamento do Ceará com as exportações para os Estados Unidos despencou 77,9% em setembro de 2026 na comparação com o mês anterior, somando US$ 42,94 milhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A retração é efeito direto da consolidação do "tarifaço" norte-americano.
Após um forte movimento em agosto para escoar contratos represados e formar estoques de fim de ano — ocorrido mesmo já sob a vigência da nova taxa —, os embarques para o país sofreram um desaquecimento acentuado em setembro.
Embora os Estados Unidos tenham se mantido como o principal destino dos produtos cearenses, o encerramento da janela de antecipação de compras fez a fatia americana na pauta exportadora do Estado encolher de 57% em agosto para 38,09% em setembro.
No comparativo com igual mês de 2025, a queda é de 27,1%.
Os dados do Mdic mostram que o resultado puxou para baixo o desempenho geral do comércio exterior cearense.
No total, o Estado movimentou US$ 112,72 milhões em vendas ao exterior distribuídas entre 91 parceiros comerciais em setembro — uma queda de 67% frente aos US$ 341,62 milhões computados em agosto.
Além disso, também representa um recuo de 29,16% em relação a setembro de 2025, quando o Estado havia exportado US$ 159,11 milhões.
Com o desempenho de setembro, o Ceará respondeu por 0,36% das exportações totais do País no mês, ocupando a 19ª posição no ranking nacional.
No acumulado do ano até setembro, as vendas do Ceará para outros países soma US$ 1,7 bilhão, alta de 4,6% ante igual período de 2025.
Entenda a corrida de compras em agosto e o impacto das tarifas
Em 22 de julho, entrou em vigor uma sobretaxa tarifária de 25% imposta pelos EUA a cerca de 3 mil produtos brasileiros — no ano anterior, em agosto de 2025, já incidia uma sobretaxa adicional que chegava a 40%.
Mesmo com a nova taxa entrando em vigor, o mês de agosto de 2026 registrou uma corrida emergencial de compradores americanos.
Naquele mês, as exportações cearenses para os Estados Unidos dispararam para US$ 194,5 milhões, o que representou uma alta de 20,4% em relação a julho do mesmo ano, mês de início da tarifa.
Na comparação com junho de 2026, último mês antes da aplicação da sobretaxa, o crescimento foi um salto de 243,1% — mais do que o triplo do volume anterior —, enquanto o avanço atingiu 269,9% em relação a agosto de 2025.
Com isso, a fatia dos EUA nas vendas externas do Ceará alcançou o ápice histórico de 57% em agosto, superando a média acumulada do ano, de 43,3%, e impulsionando o Estado a fechar aquele mês com um superávit global de US$ 65,3 milhões.
Reordenamento de parceiros
Com o desaquecimento dos embarques para os EUA, outros mercados ganharam peso relativo na balança do Estado. Veja como ficou a participação por parceiros:
- América do Norte: Manteve o topo por blocos continentais, somando US$ 48,01 milhões (42,59% do total).
- Europa: Ficou em segundo lugar, com US$ 26,53 milhões (23,53%).
- América do Sul: Assumiu o terceiro posto com US$ 18,48 milhões (16,40%), mais que dobrando a participação média que mantinha em 2025 (~7,9%).
- Ásia (excluindo Oriente Médio): Absorveu US$ 11,08 milhões (9,83%).
- Outros blocos: África somou US$ 3,24 milhões (2,87%); América Central e Caribe, US$ 2,67 milhões (2,37%); País Não Declarado, US$ 1,15 milhão (1,02%); Oceania, US$ 1,14 milhão (1,01%); e Oriente Médio, US$ 423 mil (0,38%).
No ranking individual de países compradores em setembro, os Países Baixos (Holanda) desbancaram o México e assumiram a vice-liderança, movimentando US$ 8,28 milhões (7,35%) e consolidando o Porto de Roterdã como porta de entrada dos produtos cearenses na Europa.
A China avançou para o terceiro lugar com US$ 5,83 milhões (5,17%), seguida por Itália (US$ 5,10 milhões / 4,53%), Reino Unido (US$ 4,45 milhões / 3,95%) e Argentina (US$ 4,44 milhões / 3,94%).
Completam a lista dos dez principais destinos a Colômbia (US$ 4,21 milhões / 3,74%), o México (US$ 3,70 milhões / 3,28%), o Paraguai (US$ 2,57 milhões / 2,28%) e a França (US$ 2,01 milhões / 1,79%).
Pressão sobre a balança comercial e déficit de US$ 167 mi
No mês de setembro de 2026, as importações estaduais somaram US$ 279,8 milhões — o equivalente a 1% das compras nacionais no período, colocando o Estado na 14ª colocação do ranking nacional de importadores.
Com o descompasso entre compras e vendas, o saldo comercial do Ceará em setembro registrou um déficit de US$ 167,1 milhões.
O Estado possui histórico deficitário no comércio exterior — registrou saldo negativo de US$ 344 milhões em 2025 e acumulava déficit de US$ 212,4 milhões entre janeiro e agosto de 2026.
Com a retração das vendas externas em setembro para US$ 112,72 milhões e a manutenção da entrada de insumos como carvão mineral, trigo e derivados de petróleo, a balança comercial cearense voltou a confirmar sua tendência estrutural de déficit.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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