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Enquanto países como China, Coreia do Sul e Estados Unidos aceleram investimentos em inteligência artificial e tecnologia, o Brasil enfrenta um desafio duplo: fortalecer sua educação e desenvolver competências digitais para não ficar para trás na corrida da inovação.
Segundo o professor Evandro Menezes de Carvalho, doutor em Direito Internacional pela USP e uma das principais referências brasileiras sobre o avanço tecnológico chinês, entender a ascensão digital chinesa exige ir além da tecnologia.
“A transformação digital da China não pode ser compreendida apenas como um fenômeno tecnológico. Ela faz parte de um projeto mais amplo de modernização nacional, no qual educação, cultura, ciência e inovação caminham de forma integrada”, relaciona.
Educação e cultura como pilares da inovação
Evandro afirma que o país asiático estruturou políticas públicas para desenvolver inteligência artificial, economia digital e infraestrutura tecnológica sem abrir mão de sua identidade cultural. Para ele, esse equilíbrio é o que sustenta resultados de longo prazo.
“Tecnologia, por si só, não produz desenvolvimento sustentável. Este é o ponto central de nossa reflexão. A educação forma profissionais capazes de criar, utilizar e aperfeiçoar novas tecnologias. [...] Já a cultura fornece os valores que orientam o uso dessa tecnologia”, afirma.
O especialista também destaca que a China vem reformando currículos universitários e ampliando centros de pesquisa voltados para inteligência artificial e ciência de dados, unindo universidades, empresas e governo em torno de metas nacionais de longo prazo.
O que o Brasil pode aprender
Os exemplos de China e Brasil, ainda que em escalas e contextos diferentes, apontam para uma mesma direção. Investir em inteligência artificial sem investir em quem vai usá-la, entendê-la e aperfeiçoá-la tende a produzir resultados limitados.
Um dos pontos centrais da fala de Evandro é a ideia de que países do Sul Global, incluindo o Brasil, podem desenvolver capacidades próprias em inteligência artificial sem depender exclusivamente das grandes potências tecnológicas. “A cooperação internacional entre países emergentes pode acelerar esse processo", avalia.
Para o professor, o principal aprendizado que espera deixar com o público é uma mudança de perspectiva sobre o papel da tecnologia.
“O grande desafio não é apenas utilizar inteligência artificial produzida por outros, mas desenvolver competências próprias, formar talentos e construir uma cooperação baseada no compartilhamento de conhecimento”, afirma Evandro.
Unimed Fortaleza como exemplo que confirma a tendência
Se na China a modernização tecnológica caminha lado a lado com a formação de pessoas, no Brasil esse movimento também começa a ganhar forma dentro das empresas.
É o caso da Unimed Fortaleza, que ao longo dos últimos anos investiu em soluções de inteligência artificial para modernizar processos internos, aprimorar a jornada dos beneficiários e ampliar o suporte a médicos cooperados e colaboradores.
A empresa passou a usar IA para prever a demanda de atendimentos do ano seguinte. A iniciativa ajuda a dimensionar serviços com mais precisão e antecipar reclamações de clientes antes que se tornem formais. A gerente de inteligência de dados da Unimed Fortaleza, Clara Matias, aponta que essas soluções promovem melhorias nos processos.
“Trabalhamos com esse tipo de solução e de estudo para fortalecer a tomada de decisão baseada em dados e trazer mais previsibilidade. Quando falo em previsibilidade, não me refiro apenas a olhar para a situação atual, mas também a entender para onde as coisas estão caminhando”, analisa Clara.
A tecnologia também é utilizada para proteger recursos contra fraudes e para identificar padrões em exames de imagem que auxiliam médicos a agir mais cedo no diagnóstico de doenças críticas. Nessa linha, a cooperativa vem realizando provas de conceito com startups para avaliar e validar soluções de inteligência artificial voltadas à detecção precoce dessas doenças.
Para a gerente de estratégia, projetos e inovação da Unimed Fortaleza, Amanda Rodrigues, nenhuma dessas ferramentas cumpre seu papel se não vier acompanhada de formação.
“A gente entende que não é só IA pela IA. É preciso investir em letramento e educação para que as pessoas compreendam e enxerguem o valor da inteligência artificial. [...] Por isso, trabalhar esse braço educacional e de letramento também é algo que temos desenvolvido e que faz parte do nosso programa”, afirma a gerente.
Por isso, a empresa também tem investido em capacitação interna, com pílulas de conhecimento sobre o tema e cursos de pós-graduação voltados à inteligência artificial. Para Amanda, o objetivo é mostrar que inovação não precisa ser algo extremamente revolucionário.
“Inovação não é algo disruptivo, mas é algo do dia a dia, da melhoria contínua, da melhoria incremental. [...] É trazer a inovação em termos simples e descomplicados, como ela pode estar no seu dia a dia”, completa.
Escute especialistas sobre o tema ao vivo
Aprofunde os conhecimentos sobre o tema na palestra "A Modernização da China no Contexto da Era Digital: a Cultura e a Educação como Âncoras Estratégicas", ministrada pelo professor Evandro Menezes de Carvalho no Futura Trends 2026.
O evento reunirá especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial, as transformações no mundo do trabalho e o papel estratégico da educação na construção de um país mais competitivo.
Com o tema central "O Brasil na Quarta Onda – Democratização do Conhecimento e Transformação Digital como Pilares Estratégicos; a Educação como Âncora do Desenvolvimento", a iniciativa traz à Fortaleza referências nacionais e internacionais em tecnologia, negócios e inovação.
O evento acontece no dia 6 de agosto, no Teatro RioMar Fortaleza, e reúne especialistas em tecnologia, inovação e transformação digital para discutir os rumos da economia brasileira diante da Quarta Onda. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site oficial do evento.
Serviço
Quando: quinta-feira, 6 de agosto
Onde: Teatro RioMar Fortaleza
Inscrições: seminariofuturatrends.com.br
Publicado por:
Imprensa Livre do Ceará
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