Espaço para comunicar erros nesta postagem
Fila gigante na portaria, mesinhas altas ocupadas por grupos de amigos, bebidas e tira-gostos com garçons e o forró “comendo solto” na voz da cantora Nildinha, entre muitos “alôs” para o público. Esse foi o cenário do último show do Kukukaya, na noite de sábado (8), em Fortaleza.
Fila gigante na portaria, mesinhas altas ocupadas por grupos de amigos, bebidas e tira-gostos com garçons e o forró “comendo solto” na voz da cantora Nildinha, entre muitos “alôs” para o público. Esse foi o cenário do último show do Kukukaya, na noite de sábado (8), em Fortaleza.
A casa encerrou as atividades após três décadas de história com lotação máxima — cerca de 1,5 mil pessoas. Mesmo concorrendo com grandes eventos realizados na Capital cearense na mesma noite, como o Dominguinho e o Samba Brasil, o espaço ficou lotado. Pessoas de diferentes idades escolheram o Kukukaya para se despedir de um dos endereços mais tradicionais do forró em Fortaleza.
O ambiente ajudou a reforçar o sentimento de nostalgia. O espaço apertado entre as mesas, com pessoas conversando, bebendo e dançando, remeteu às décadas de 1990 e 2000, período em que o forró ocupava um espaço de destaque na programação cultural e na vida noturna da cidade.
No palco, Nildinha também falou sobre a despedida. Em meio ao repertório formado principalmente por sucessos do forró dos anos 1990, a cantora comentou sobre a saudade que a casa deixará e lembrou do pai, o saudoso empresário Chico Bill, que teve ligação com a história do forró.
A artista ainda afirmou que o Kukukaya “vai deixar saudades”, enquanto conduzia o público por músicas que marcaram diferentes gerações de forrozeiros. A festa ainda contou apresentações do trio Lamparinos e da banda Lagosta Bronzeada.
"A história do Kukukaya começou antes mesmo de o espaço ocupar o endereço onde funcionou até este sábado. Segundo Gustavo Moura, um dos proprietários da casa, o estabelecimento surgiu na Avenida 13 de Maio e, com o crescimento do público, precisou buscar um espaço maiorO Kukukaya começou, na realidade, na 13 de Maio, ali numa bifurcação que tem, e depois veio para cá. O tamanho do sucesso foi tão grande que teve que procurar um espaço novo. E eles queriam, na época, os fundadores, trazer para dentro do bairro, não fugir da característica inicial da casa. Foi quando eles pegaram e refizeram o Kukukaya aqui, na Avenida Pontes Vieira, isso em 96"
Antes de receber o Kukukaya, o endereço era ocupado pelo Tauape Clube e permaneceu fechado por alguns anos. O espaço foi revitalizado para receber a nova fase da casa.
Gustavo Moura entrou na história do Kukukaya em 2005, inicialmente como parceiro de eventos. Ele atuava na contratação de artistas e na divulgação dos shows em rádio e televisão. Em 2012, adquiriu uma participação na empresa e, posteriormente, passou a deter o restante do negócio.
Ao longo dessas três décadas, o palco recebeu nomes de diferentes gerações da música brasileira e nordestina. Gustavo cita apresentações de Dominguinhos, Elba Ramalho e Fagner, além de artistas que se tornaram associados à história do espaço
"Eu acho que cada um tem a sua particularidade. Eu já peguei show aqui de Dominguinhos, Elba Ramalho, Fagner, um show beneficente aqui, na época, com a Apae, que a gente fez uma parceria. Aí depois vieram Dorgival Dantas, Waldonys, Chico Pessoa, muitos nomess. E, numa fase um pouco mais para frente, Vicente Nery, Eliane, Limão com Mel, Batista Lima, Lagosta Bronzeada, Painel de Controle e, por aí vai, uma infinidade de atrações"
Além dos shows abertos ao público, o Kukukaya também se consolidou como espaço para eventos particulares. A tradição permaneceu até os últimos anos de funcionamento. Segundo Gustavo, somente em junho deste ano foram realizados cerca de 30 eventos privados no local.
O fim das atividades do Kukukaya, segundo Gustavo Moura, não foi provocado por uma crise financeira ou pelo enfraquecimento do negócio. A decisão, conforme explicou, faz parte de um planejamento estratégico para encerrar o ciclo de 30 anos e iniciar uma nova etapa sob outra marca.
“Na verdade, a gente está encerrando um ciclo para começar outro, com uma outra marca, com uma outra proposta. Durante esses 20 anos que eu estou aqui, a gente passou por inúmeras fases. Quando eu cheguei aqui, o pé de serra era predominante. Depois de alguns anos, o pé de serra já não tinha mais a mesma expressão de público”, explicou o dono da casa.
O empresário afirma que o estabelecimento passou por diferentes transformações ao longo dos anos para acompanhar as mudanças no mercado, mas sem abandonar a identidade construída pelo Kukukaya.
“A gente conseguiu uma coisa que eu acho muito, muito difícil no mercado: você renovar o público sem perder a identidade. E a gente fez isso já duas, três vezes durante esses 20 anos. Tanto que estamos funcionando hoje aqui com os ingressos esgotados”, destacou o Gustavo Moura.
O empresário também ressaltou que a decisão vinha sendo estudada havia alguns anos, especialmente após as mudanças provocadas pela pandemia no setor de eventos.
“Não foi uma coisa de agora. Já há uns dois, três, quatro anos para cá. Principalmente depois da pandemia, que houve mudanças no mercado de eventos, que a gente, como sempre, vai se adequando. Então, foi uma coisa estudada. Quero deixar claro: foi uma coisa pensada, foi uma coisa analisada com calma, até chegar ao resultado de hoje, e que vai vir por aí ainda muita coisa boa”, afirmou.
Antes da despedida, Gustavo também fez questão de agradecer ao comunicador João Inácio, que teve participação importante na divulgação do Kukukaya durante anos. Nos anos 2000, a voz do apresentador da TV Diário era a de divulgação dos eventos do espaço.
“João Inácio é meu amigo até hoje. Padinho, um abraço. Trabalhou comigo durante, eu acho, sete, oito anos. Aquela mídia do João Inácio foi muito parceira nossa aqui. Lembra que eu te falei no começo que eu trabalhava com divulgação de rádio e TV? Era eu junto com o João Inácio”, relembrou, Gustavo emocionado.
A última noite do Kukukaya terminou, assim, com o mesmo elemento que marcou boa parte da trajetória da casa: o público. Entre forró, reencontros, bebidas, dança e lembranças, a casa de forró fechou as portas com o salão cheio e uma despedida que mais pareceu uma celebração dos 30 anos de história.
Publicado por:
Imprensa Livre do Ceará | A verdade não tem preço!
Imprensa Livre do Ceará é uma plataforma jornalística dedicada a trazer notícias de qualidade, com foco em informação precisa e atualizada sobre economia, política, tecnologia e tendências do agro no Brasil e no mundo.
Saiba Mais