Até 18 de agosto, os investidores estrangeiros retiraram R$ 20,5 bilhões da Bolsa brasileira em agosto, fazendo deste o terceiro maior fluxo mensal de saída desde 2008, segundo o JPMorgan. Em relatório, o banco analisou episódios anteriores de forte retirada de recursos da B3 e identificou um padrão preocupante: na maioria dos casos, as saídas continuaram nos meses seguintes, sugerindo que a debandada de agosto pode ainda não ter chegado ao fim.

De acordo com o JPMorgan, as duas maiores saídas ocorreram com a chegada da Covid-19, em fevereiro e março de 2020, quando os gringos retiraram R$ 21 bilhões e R$ 24,2 bilhões, respectivamente, da B3.

A queda média do Ibovespa nesses episódios de “saídas extremas”, conforme intitulou o banco, foi de 11,3%. O resultado foi influenciado pelas quedas acima de 20% observadas durante a crise financeira global, em outubro de 2008, e a Covid-19, em março de 2020. Ainda assim, mesmo excluindo esses dois períodos, a queda média do índice teria sido de 6,7% no mês do evento.

Leia Também:

Em agosto, até a data de publicação do relatório, o Ibovespa acumulava queda de 5,65%. Assim, de acordo com o JPMorgan, o índice pode estar agora mais caro do que deveria estar considerando o nível histórico das saídas de recursos.

Quanto ao que esperar dos fluxos daqui para frente, o histórico não oferece alívio. Ao analisar nove episódios de “saídas mensais extremas”, em todas as ocasiões, exceto uma (agosto de 2023), os fluxos permaneceram negativos no acumulado dos três meses após o episódio. Além disso, em todas as ocasiões, os resgates continuaram no mês seguinte ao da saída extrema.

Um fator agravante do cenário para 2026 é que houve fortes entradas de recursos no primeiro trimestre do ano, de R$ 53,4 bilhões, o segundo maior volume da série, atrás apenas do primeiro trimestre de 2022, quando começou a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Sem relação entre eleição e fluxos

O JPMorgan afirma ser cuidadoso ao associar os fluxos de capital estrangeiro a eventos domésticos, porque acredita que os movimentos estão mais relacionados a fatores externos, especialmente ao nível dos Treasuries (títulos públicos americanos) e do dólar.

De acordo com o banco, os fluxos foram positivos no Brasil nos três meses anteriores às eleições nas últimas quatro disputas e também foram positivos nos três meses seguintes em todas as ocasiões, exceto em 2018. Ou seja, um movimento contrário ao observado atualmente.

O JPMorgan também não vê uma relação clara entre os fluxos para mercados emergentes e para o Brasil. Ao analisar a série histórica mensal disponível desde 2004, a corrente de capital gringo para o Brasil e para os mercados emergentes se moveu na mesma direção apenas 50% das vezes.

Desde 2023, quando o dólar começou a dar sinais de enfraquecimento, os fluxos para o Brasil e para os mercados emergentes passaram a se mover na mesma direção em cerca de 60% das vezes.

Quando o banco compara os fluxos para os ETFs (fundos de índice) EEM (que segue mercados emergentes) e EWZ (que segue ações brasileiras), a correlação é ainda menor: nos últimos 12 meses, os fluxos se moveram na mesma direção em apenas 35% das vezes. “Desde meados de junho, na verdade, ambos vêm se movendo em direções opostas, mostrando uma divergência significativa”, afirma o JPMorgan.

FONTE/CRÉDITOS: Estadão