O terreno do tradicional Instituto Pequeno Príncipe, localizado na rua Conselheiro Tristão, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza, está à venda há cerca de três meses. O colégio encerrou as atividades em dezembro de 2025. A reportagem apurou que o lote estaria sob espólio após litígio de aluguel.

movimentação de veículos dos responsáveis nos arredores do casarão colorido e o barulho, frequente na aprendizagem de crianças, cederam espaço ao silêncio na vizinhança após a formação das últimas turmas.

Prestigiado pela comunidade, o colégio de ensino infantil ao fundamental I existiu por aproximadamente meio século, com cerca de 30 anos neste endereço.

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Anteriormente, o primeiro espaço educacional, do mesmo locatário, havia sido inaugurado no atual Conselho Regional de Química, a uma distância de 500 metros.

lixo arremessado no jardim crescido do imóvel, de espaçoso alpendre, também denota o fim de uma era e contrasta cenários do passado. 

Pioneirismo, auge, decadência e fechamento: moradores do entorno comentam bastidores

Segundo a moradora Josilma Frota, 62, após auge com cerca de 300 alunos, houve uma queda vertiginosa de novas matrículas frente ao domínio de grandes empresas educacionais sobre escolas de bairro, como o Instituto Pequeno Príncipe. O declínio teria começado nos anos 1990.

Desde o nascimento, a professora de história convive quase de frente ao terreno. A comodidade facilitou o ingresso de sua irmã mais nova e de sua neta Helena, 8.

Ela conta que, perto do fim, apenas duas educadoras lecionaram nas salas multisseriadas. "A escola não se sustentava financeiramente. Até porque não tinha estrutura. É um prédio velho, sem recursos pedagógicos", afirmou Josilma.

Apesar disso, a docente destacou que o Instituto era uma referência pioneira na educação infantil, usando como exemplo o empenho da direção e a satisfatória alfabetização de sua neta.

A criança estudou no colégio até o encerramento das atividades, após concluir o 1º ano. "É uma lástima. As coisas vão passando. E foi péssimo arranjar escola em cima da hora, comprar material, fardamento", relembrou.

De acordo com Mayara Frota, 39, mãe da menina, a família foi avisada em 18 de dezembro sobre o fechamento.

"Foi uma tristeza, pois eu não queria ter tirado minha filha de lá. Helena se adapta bem em qualquer lugar, porém, com quase 8 meses que a escola fechou, ela ainda pede para falar com a professora Janaína 'a melhor tia do mundo'", lamentou Mayara, ao lembrar que o fluxo de alunos diminuiu ao longo do tempo.

FONTE/CRÉDITOS: O povo