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A Lojas Marabraz, tradicional rede de móveis e eletrodomésticos de São Paulo, protocolou um pedido de recuperação judicial em caráter de urgência junto à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do estado. A empresa acumula dívidas estimadas em R$ 140 milhões e atribui seu endividamento ao impacto das taxas de juros elevadas, à retração do consumo e problemas familiares.
O movimento da varejista — que já somou 135 unidades distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior paulista — ocorre em meio a um cenário de pressão financeira no setor corporativo brasileiro.
Marcado por restrições de crédito, alto custo financeiro e barreiras para o refinanciamento de débitos, o mercado nacional registrou 194 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados da Serasa Experian.
Histórico da empresa e evolução societária
A trajetória do grupo teve início em 1965 com a fundação da primeira loja "Credi-Fares" na Vila Nova Cachoeirinha, pelo imigrante libanês Abdul Hamid Mohamad Fares. Com o seu falecimento em 1978, a gestão passou para os filhos. Em 1986, a família adquiriu a marca "Lojas Marabraz" (originalmente derivada de "Maravilhas do Braz"), unificando a rede sob a nova identidade visual e comercial.
Nos anos seguintes, a empresa expandiu sua estrutura e rede de atendimento:
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1994 e 1997: Inauguração do segundo e terceiro centros de distribuição.
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1997: Início da parceria publicitária com a dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano, que durou mais de duas décadas e popularizou o slogan "Lojas Marabraz, preço menor, ninguém faz".
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2006: Inauguração de centro de distribuição em Cajamar (SP).
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Atingimento de pico operacional: A rede chegou a contar com 135 lojas físicas distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior do estado.
Ao longo das décadas, o faturamento e o núcleo operacional foram transferidos sucessivamente entre diferentes pessoas jurídicas do grupo — SVC (a partir de 2000), Nações (2005), Zena (2009) e Jordanésia (que concentra a gestão administrativa, financeira e operacional desde 2017). Em 2023, foi constituída a Monta Móveis para gerir a plataforma tecnológica de serviços de montagem de móveis. Segundo a petição, o ajuizamento conjunto das cinco empresas decorre do controle comum e da interdependência patrimonial e financeira, ressaltando a existência de mais de mil reclamações trabalhistas ajuizadas em face de mais de uma entidade do grupo.
Origem da crise econômico-financeira
A petição aponta que a crise enfrentada pelo grupo não deriva da inviabilidade operacional ou comercial da marca, mas sim de uma sucessão de fatores operacionais, financeiros e familiares:
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Dependência de capital de giro: A operação do varejo popular exigia financiamento contínuo para estoque, logística, redes de lojas e concessão de crédito direto aos consumidores (carnês).
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Ruptura patrimonial e familiar: Historicamente, o crédito bancário obtido pelo grupo era respaldado por um patrimônio imobiliário (imóveis comerciais e centros de distribuição) mantido por sociedades patrimoniais da família. Disputas e conflitos societários/familiares provocaram o desligamento entre os administradores operacionais e o controle dessas sociedades patrimoniais.
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Restrição ao crédito: Sem o lastro das garantias imobiliárias históricas, as instituições financeiras reduziram limites, encareceram taxas, exigiram novas garantias e deixaram de renovar linhas essenciais de capital de giro.
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Agravamento macroeconômico: A alta das taxas de juros, a diminuição do consumo e o aumento da inadimplência aprofundaram a crise de liquidez da empresa.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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