As eleições presidenciais se avizinham e o próximo presidente da República terão o desafio histórico de mitigar os problemas que limitam o desenvolvimento econômico do Nordeste. Um desses desafios é criar políticas públicas que liberem o endividamento. Segundo estimativa do SPC Brasil, a região acumulou aproximadamente 19,82 milhões de consumidores negativados em setembro de 2026. Essa marca equivale à população do Chile, por exemplo. No Ceará, os dados apontam mais de 3,7 milhões de pessoas individualizadas.

O dado expõe a dimensão do endividamento das famílias nordestinas e enfatiza a importância de se criar mecanismos de geração de emprego e renda e ampliar a cadeia de oportunidades para fortalecer a economia da região.

O levantamento aponta ainda que o número de indivíduos no Nordeste corresponde a 44,77% da população adulta regional e, se comparado com setembro de 2025, houve um aumento de 4,58% no total. Também foi registrado que o volume de dívidas de pessoas físicas em atraso subiu mais de 10% no período. “Embora os índices de crescimento estejam entre os menores do país, a dimensão absoluta do problema representa um desafio para o consumo, a atividade econômica e a recuperação financeira das famílias”, alertou o sociólogo, mestre em Avaliação de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Blesser Moreno.

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O segmento empresarial também não está no radar de preocupações do estudioso. Em setembro de 2026, o número de empresas inadimplentes no Nordeste cresceu 11,42% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No mesmo período, as dívidas empresariais em atraso aumentaram 13,72%. “Os resultados reforçam que as dificuldades financeiras não se restringem aos consumidores, mas também afetam os negócios, com possíveis reflexos sobre investimentos, manutenção de empregos e expansão da atividade produtiva”, disse.

Blesser Moreno ensinou que o enfrentamento desses desafios passa pela ampliação dos investimentos em infraestrutura, especialmente em projetos relacionados à segurança hídrica e à integração logística. “Essas medidas são fundamentais para diversificar a economia, fortalecer a agricultura e criar condições para que a população permaneça no interior da região”.

FONTE/CRÉDITOS: O Estado