O orçamento doméstico do brasileiro está operando no limite máximo, e a moradia se tornou o principal vilão das contas familiares. É o que revela o estudo global Lar a Que Custo? Brasil, publicado neste mês de outubro de 2026 pela organização Habitat para a Humanidade Brasil.

De acordo com o levantamento inédito, 74% dos brasileiros reduziram pelo menos uma despesa genérica nos últimos 12 meses para conseguir arcar com os custos de habitação, que incluem aluguel, prestação do imóvel, contas de água, luz e manutenção básica.

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A pesquisa acende um alerta vermelho sobre a perda do poder de compra e o avanço do deficit habitacional qualitativo no país. Para não atrasar o aluguel ou a prestação da casa própria, a grande maioria da população tem sacrificado itens que vão desde o lazer até necessidades básicas de consumo diário.

O peso do teto no orçamento

O fenômeno do encarecimento imobiliário e dos serviços básicos associados à moradia tem empurrado as famílias para escolhas difíceis.

 Especialistas apontam que, tradicionalmente, economistas recomendam que os custos com habitação não ultrapassem 30% da renda familiar. No entanto, o cenário atual mostra que esse teto foi amplamente superado na realidade brasileira.

Os cortes de gastos mencionados no estudo da Habitat para a Humanidade Brasil refletem uma reconfiguração do consumo.

Entre as principais despesas sacrificadas pelos entrevistados destacam-se:

  • Lazer e cultura: Viagens, saídas a restaurantes e cinema foram os primeiros itens cortados.
  • Vestuário e bens duráveis: Compra de roupas, calçados e eletrodomésticos novos foi adiada por tempo indeterminado.
  • Alimentação e supermercado: Substituição de marcas tradicionais por itens mais baratos e redução no consumo de proteínas nobres.

Impacto social e habitacional

A diretoria da Habitat para a Humanidade Brasil ressalta que o relatório evidencia como a falta de políticas habitacionais integradas e o aumento da inflação de serviços corroem a dignidade das famílias. Quando quase três quartos da população precisam escolher entre pagar o teto ou manter outros padrões de consumo, a economia interna como um todo desacelera.

Além disso, o estudo aponta que o aperto financeiro impede que as famílias realizem manutenções preventivas em suas casas, gerando um efeito cascata que precariza ainda mais as condições de habitabilidade nas periferias e grandes centros urbanos.

O relatório completo "Lar a Que Custo?" traz dados comparativos com outros países em desenvolvimento, mas consolida o Brasil como um dos territórios onde o impacto do custo imobiliário é mais severo na renda disponível da classe trabalhadora.