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Três policiais e um homem que, supostamente, atuava como informante dos investigados de dentro do Sistema Penitenciário foram alvos de operação deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), nesta quinta-feira (29).

O Diário do Nordeste apurou que dentre os presos temporariamente estão dois policiais civis e um militar investigados por formar uma organização criminosa. De acordo com as investigações, os suspeitos se aliaram a um homem vinculado a uma organização criminosa para comprar drogas e, em seguida, simulavam abordagens em viatura caracterizada.

No entanto, segundo o Gaeco, os agentes não formalizavam as ocorrências e nem efetuavam prisões ou apreensões: "as investigações também identificaram o uso de recursos logísticos e tecnológicos para viabilizar as ações do grupo, como a locação de veículos, o uso de drone e de bloqueador de sinal de GPS".

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Um quarto alvo, também policial militar, vinha sendo investigado pelas autoridades. O suspeito morreu na última semana em um acidente automobilístico. 

A reportagem solicitou nota à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) e aguarda retorno

OPERAÇÃO DUPLA FACE

Durante as diligências da 'Operação Dupla Face' também foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Maracanaú, Aquiraz e na cidade de Capinzal do Norte, no Maranhão.


A investigação indica que os agentes se valiam das funções para praticar atividades ilícitas, "por meio de uma atuação coordenada e de uma estrutura organizada".


A operação contou com apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Polícia Civil do Ceará, além da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC) do Maranhão e do Gaeco do MPMA.

As investigações seguem em andamento com intuito de identificar outros possíveis envolvidos no caso.

QUEM É O INFORMANTE

A reportagem obteve informações que o informante vinculado ao esquema é José Abdon Gonçalves Filho. O homem já é conhecido das autoridades há alguns anos, sendo inclusive condenado na Justiça do Ceará a cumprir 33 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e comércio ilegal de arma de fogo.

Abdon é acusado de se associar a policiais para cometer crimes, mesmo quando já estava preso.

Conforme a condenação, dentro do esquema o informante tinha três funções dentro do grupo criminoso: "1) selecionar alvos para que o grupo executasse extorsões, 2) negociar a compra de entorpecentes, 3) repassar as informações para os policiais integrantes da organização criminosa que, consequentemente, abordavam os fornecedores da droga no momento em que eles faziam a entrega e realizavam a extorsão".

Kaio Castro, advogado e coordenador jurídico do Sinpol Ceará, disse que: "a defesa esclarece que as acusações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos e serão devidamente enfrentadas nos autos, com serenidade e com a apresentação dos elementos objetivos já disponíveis. Chama atenção, ainda, que parte relevante da narrativa acusatória esteja amparada em declarações prestadas por pessoa que responde a diversos processos criminais e possui condenação judicial, circunstância que, evidentemente, exige especial cautela na avaliação de sua credibilidade e de eventuais interesses envolvidos em suas declarações".

O advogado acrescenta que "não se pode admitir que afirmações isoladas, desacompanhadas de prova independente e segura, sejam tratadas antecipadamente como verdade. Além disso o mesmo já tentou com mais de dezenas de outros policiais civis fazer a mesma coisa para fins de benefício próprio. Os investigados confiam no Poder Judiciário e demonstrarão, no momento processual adequado, a fragilidade das imputações e a inconsistência da versão apresentada. A defesa reafirma que o processo penal deve ser decidido com base em provas, e não em narrativas, manchetes ou declarações de conveniência de quem não tem credibilidade". 

FONTE/CRÉDITOS: Diário do Nordeste