Um levantamento recente divulgado pelo Observatório da Pessoa Idosa — plataforma lançada pela Prefeitura de Fortaleza — aponta que pelo menos 1.333 pessoas idosas vivem em situação de rua na capital cearense.

Os dados, que consideram beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), revelam um cenário de forte crescimento e acentuada vulnerabilidade social na cidade. 

Crescimento acelerado

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O número de idosos nessa condição sofreu forte alta nos últimos anos.

De acordo com os registros históricos da plataforma:

2023: 740 idosos em situação de rua

2024: 1.045 idosos em situação de rua

2025/2026: 1.333 idosos em situação de rua (um salto de aproximadamente 80% em dois anos) 

No recorte de gênero e raça apontado pelas análises, 63,9% das pessoas idosas em situação de rua são mulheres, e a maioria é composta por pessoas negras. No contexto geral, Fortaleza já figura como a quarta capital brasileira com maior população em situação de rua, estimada em cerca de 11 mil pessoas. 

Fragilização familiar e fatores socioeconômicos

Especialistas apontam que a principal causa para a perda de moradia nessa faixa etária é a fragilização ou o rompimento de vínculos familiares. É comum o relato de idosos que, após o falecimento de parentes ou conflitos sucessórios, perdem o direito ao imóvel onde residiam e acabam desamparados. 

A socióloga Lídia Valesca destaca que o problema também reflete dinâmicas estruturais mais amplas:

Baixa escolaridade e qualificação: Grande parte dessa população não consegue se reinserir no mercado de trabalho formal.

Sofrimento mental e uso de substâncias: O acúmulo de vulnerabilidades físicas e psicológicas dificulta a busca por autonomia.

Precarização da renda: Embora parte receba o BPC (no valor de um salário mínimo), muitos recorrem ao aluguel de "quartinhos" precários ou acabam expulsos para as calçadas devido ao alto custo de vida. 

Resposta do poder público

Questionada sobre as medidas em curso, a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza (SDHDS) informou que busca expandir a rede de proteção social.

Entre as ações anunciadas pela gestão municipal estão: 

A ampliação dos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros Pop), com uma nova unidade prevista para o bairro Papicu. 

O aumento de vagas em pousadas sociais, que devem saltar de 240 para 300 nos próximos meses. 

Parcerias com órgãos como a Defensoria Pública do Estado do Ceará e a Universidade Federal do Ceará (UFC) para facilitar o acesso a documentação e benefícios assistenciais. 

Apesar dos esforços, gestores e pesquisadores concordam que a demanda atual exige uma descentralização dos serviços e políticas habitacionais mais robustas para transformar o acolhimento temporário em uma solução definitiva.