O Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), no Centro de Fortaleza, passará por um processo de requalificação. A informação foi dada em nota ao Estado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), após questionamentos sobre a demolição do local. Segundo a pasta, o projeto da intervenção foi concluído, mas passa por avaliação para definição dos recursos e “posterior abertura do processo de licitação”.

A manifestação da Sesa, porém, não menciona a demolição do prédio informada em abril deste ano pelo governador do Estado, Elmano de Freitas. Em 7 de abril deste ano, a previsão apresentada pelo chefe do Abolição apontava para a construção de uma nova unidade. Na época, o governador chegou a ser criticado por parlamentares da oposição, como o deputado estadual Heitor Férrer que utilizou o termo “governador demolidor” para se referir ao gestor.

A secretaria não informou se o projeto de requalificação mantém a estrutura atual do hospital ou se haverá mudança parcial ou total do prédio. Também não foram divulgados detalhes sobre o valor da intervenção, o cronograma da obra ou quais setores serão modificados.

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A reportagem foi ao local nesta sexta-feira (14) e não encontrou sinais de obras. A Superintendência de Obras Públicas (SOP) mencionou que o processo de intervenções na unidade hospitalar estava em fase preliminar e em definição de termos com a Sesa.

Novo público
Em maio deste ano, Elmano afirmou que o Estado analisava uma mudança no perfil de atendimento do hospital. Na ocasião, o governador indicou que a alteração no escopo de atuação da unidade de saúde estava em discussão e seria definida de acordo com a necessidade da população cearense.

Quase centenário, o Hospital Geral Dr. César Cals passou por mudanças na oferta de serviços, sobretudo após a inauguração do Hospital Universitário do Ceará (HUC), em 2025. Com a entrada em funcionamento da unidade, alguns serviços que eram realizados no César Cals foram transferidos para a unidade localizada no Itaperi, exceto a maternidade e a neonatologia.

Antes do fechamento, a unidade hospitalar era o equipamento mais antigo da rede estadual de saúde e contava com mais de 290 leitos. O local era referência em obstetrícia e neonatologia, tendo registrado cerca de 3 mil partos entre janeiro e setembro de 2025.

A unidade hospitalar também oferecia serviços especializados nas áreas de imagem, endoscopia, patologia clínica e procedimentos cirúrgicos. O prédio anexo concentrava atendimentos ambulatoriais, atividades epidemiológicas e ações de ensino.

O incêndio
O incêndio ocorreu em 13 de novembro de 2025 e atingiu a subestação de energia do hospital. Registros compartilhados nas redes sociais mostraram pacientes sendo retirados às pressas da unidade, com recém-nascidos em incubadoras, que foram levados temporariamente para o entorno do Beco da Poeira. Na ocasião, a Sesa informou que nenhuma área assistencial foi atingida e que não houve vítimas. O Corpo de Bombeiros também afirmou que os danos ficaram restritos à área externa da unidade. Em uma operação que durou cerca de oito horas, 117 bebês, 153 mães e acompanhantes foram transferidos para outros hospitais da rede estadual.

FONTE/CRÉDITOS: O Estado