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A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, segundo Washington, foi um ato de “tratamento recíproco” que amplia as tensões entre os dois países e levanta preocupações sobre os possíveis impactos econômicos e políticos nessa relação bilateral.
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Desde de julho de 2025, o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e, desde então, disputas comerciais, divergências diplomáticas e embates relacionados à política internacional têm contribuído para o desgaste da relação entre os dois países.
O jornal O Estado ouviu o mestre em Avaliação de Políticas Públicas, Blesser Moreno, para entender como essas medidas podem interferir na economia do Ceará. “A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos gera impactos e sob o ponto de vista econômico, a criação de barreiras comerciais e tarifas já é uma realidade não apenas para o Brasil, mas para diversos países. Além disso, o Brasil é extremamente dependente do investimento estrangeiro, e esse fluxo tende a se retrair diante de cenários de instabilidade diplomática”, analisou.
Acerca das interferências no mercado cearense, Blesser Moreno destacou que os primeiros impactos estão na redução da competitividade. “O aumento dos custos de importação nos EUA pressiona as margens de lucro dos exportadores cearenses, encarece os produtos na ponta final e gera risco de suspensão de contratos de longo prazo, afetando o fluxo de caixa das empresas locais”, disse.
Blesser explicou que as exportações do Ceará se concentram em produtos industriais e commodities, tais como placas de aço na siderurgia, rochas ornamentais, com destaque para o quartzito que, segundo ele, foi excluído do tarifaço por interesse do mercado americano, além de tem a atuação na indústria de pescados, agronegócio e calçados.
Para o analista, as maiores perdas recaem sobre o setor pesqueiro (lagosta e peixes) e a indústria calçadista, devido à alta dependência do comprador americano e à concorrência direta com outros países. “Temos como exceção o quartzito cearense, que não sofre essas perdas, pois obteve isenção tarifária por ser considerado um insumo de interesse nacional dos EUA para a indústria de alta tecnologia e de construção civil. Nos EUA, o quartzito, inclusive o do tipo “Taj Mahal”, é um insumo de alto valor para residências de alto padrão, utilizado em cozinhas e banheiros”, detalhou Moreno.
Mesmo diante desse cenário, o Ceará pode se beneficiar, aponta o especialista. “Mantivemos uma janela de oportunidades com a exportação do quartzito. Podemos focar na busca por novos mercados, como Europa, Ásia e Oriente Médio, que têm economias fortes e dinâmicas e com espaço para produtos primários como os nossos. Além disso, temos que estimular nossos produtores a gerarem valor em seus produtos. Essa ação pode gerar um maior lucro”.
Blesser Moreno também afirma que esse cenário pode gerar uma desaceleração nas contratações e corte de postos de trabalho, principalmente na indústria calçadista, contudo, ele acredita que pode ocorrer o aumento da oferta de alguns produtos que não foram exportados, gerando uma queda de preços em determinados setores e, consequentemente, um impacto positivo na diminuição da inflação. “É fundamental ter uma leitura crítica sobre o fenômeno da inflação nesse contexto, pois o combate real e sustentável à inflação passa pela redução do déficit fiscal e pelo aumento da eficiência da máquina pública”, observou o analista.
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