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A situação financeira do Vasco ganhou um novo capítulo após a Justiça demonstrar preocupação com o empréstimo de R$ 150 milhões negociado pelo clube. O valor faz parte de uma operação prevista no processo de recuperação judicial e é considerado importante para manter o funcionamento do futebol e cumprir as obrigações financeiras nos próximos meses.
A avaliação, segundo informações divulgadas pelo UOL, é de que o não cumprimento das obrigações previstas no plano de recuperação judicial pode aumentar a pressão dos credores. Em um cenário de descumprimentos, existe a possibilidade de questionamentos sobre a continuidade do processo e até pedidos de falência.
Apesar disso, especialistas ouvidos pelo veículo consideram prematuro falar em quebra do Vasco neste momento. O advogado Henrique Fragoso, que representa 53 credores trabalhistas no processo, afirmou que um eventual descumprimento poderia gerar grande desgaste processual.
Empréstimo é considerado essencial para o Vasco
O plano de recuperação judicial prevê a contratação de um financiamento DIP, modalidade que permite que empresas em recuperação obtenham dinheiro novo para manter suas atividades. O mecanismo oferece prioridade de pagamento e garantias específicas em caso de eventual falência.
O financiamento de R$ 150 milhões, porém, ainda depende de etapas judiciais. A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, solicitou uma auditoria independente e explicações sobre as projeções financeiras apresentadas pelo Vasco antes de analisar novamente a liberação do dinheiro.
Para Fragoso, a entrada dos recursos é fundamental para evitar uma piora na situação financeira do clube.
“Teoricamente, seria mais uma dívida, mas vejo mais benefício do que prejuízo. O que sabemos é que esse dinheiro é importante para manter a recuperação judicial, o elenco e, principalmente, as obrigações dos próximos meses”, afirmou o advogado.
O especialista também defende que o dinheiro seja liberado para garantir o pagamento de salários e outras despesas necessárias para o funcionamento do Vasco.
Dívidas podem chegar a R$ 270 milhões
Outro ponto de preocupação envolve a relação entre o empréstimo e o grupo interessado em assumir o controle da SAF do Vasco. A Almirante Participações participa das negociações para adquirir 90% das ações de uma nova empresa que concentraria a operação do futebol.
De acordo com o UOL, as dívidas relacionadas ao possível comprador poderiam alcançar aproximadamente R$ 270 milhões. O cálculo considera o financiamento DIP de R$ 80 milhões da Crefisa, um empréstimo de R$ 40 milhões realizado pela Almirante em 2025 e a nova operação de R$ 150 milhões.
A Justiça questionou se esse nível de endividamento poderia tornar a SAF menos atrativa para outros possíveis investidores. Um eventual comprador poderia assumir uma empresa que já teria o grupo de Marcos Lamacchia entre seus principais credores.
Fragoso, por sua vez, afirmou que não conhece as garantias oferecidas pelo Vasco no novo contrato, mas entende que a falta de recursos seria mais prejudicial à recuperação judicial do que a criação de uma nova dívida.
Possibilidade de falência ainda é considerada prematura
A possibilidade de falência do Vasco passou a ser discutida diante do risco de descumprimento das obrigações previstas no processo de recuperação judicial. Especialistas, contudo, ressaltam que um eventual pedido de falência não significaria uma quebra imediata do clube.
Segundo o advogado Daniel Villas Boas, credores poderiam pedir a falência caso o Vasco deixe de cumprir seus pagamentos, mas o clube teria direito de apresentar sua defesa. Depois disso, a Justiça precisaria analisar os pedidos antes de tomar qualquer decisão.
“O pedido, porém, não levaria à quebra imediata do clube. O Vasco teria direito de se defender, e a Justiça precisaria analisar os pedidos antes de qualquer decisão”, explicou Villas Boas.
O advogado também destacou que a aplicação da Lei da SAF aos clubes de futebol ainda é recente no Brasil e que não existe um histórico consolidado de falências decretadas contra equipes.
A Vasco SAF foi procurada e informou que não pretende se manifestar enquanto o processo estiver em andamento.
Auditoria pode atrasar liberação do dinheiro
A exigência de uma auditoria independente é outro obstáculo para a liberação dos recursos. Villas Boas avalia que a medida adotada pela Justiça é uma cautela, mas alertou para os efeitos de uma eventual demora.
O Vasco precisa dos recursos para manter sua operação financeira no curto prazo. Sem o dinheiro, aumentam as preocupações relacionadas ao pagamento de salários, credores e demais obrigações previstas no processo de recuperação judicial.
Além disso, caso os responsáveis pela auditoria não sejam pagos, o trabalho pode não começar, o que impediria a apresentação dos resultados à Justiça e, consequentemente, a autorização do financiamento DIP.
Enquanto isso, o Vasco busca avançar na solução financeira que permita ao clube cumprir seus compromissos e dar continuidade ao processo de recuperação judicial.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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