A Amazônia brasileira abriga a maior concentração de povos indígenas isolados de todo o planeta, servindo como o último refúgio para sociedades que decidiram romper ou evitar o contato com a civilização ocidental. De acordo com os dados oficiais mais recentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), existem 114 a 115 registros de grupos isolados mapeados no Brasil. Desse total, o Estado brasileiro confirma cientificamente a existência de 29 povos, os quais vivem sob proteção legal estrita e sem qualquer contato voluntário ou permanente com civis.

Desse total, o Estado brasileiro confirma cientificamente a existência de 29 povos, os quais vivem sob proteção legal estrita e sem qualquer contato voluntário ou permanente com civis.
Desse total, o Estado brasileiro confirma cientificamente a existência de 29 povos, os quais vivem sob proteção legal estrita e sem qualquer contato voluntário ou permanente com civis.

Os demais registros permanecem sob investigação em áreas remotas da floresta. 

Assista à reportagem que registrou de perto o trabalho dos indigenistas da Funai para confirmar e proteger esses povos sem interferir em suas rotinas:

Leia Também:


Os Guardiões Invisíveis: A Luta pela Sobrevivência dos Últimos Povos Isolados da Amazônia

MANAUS – Nas profundezas mais inacessíveis da floresta amazônica, longe do alcance da internet, das estradas e das moedas, grupos humanos sobrevivem mantendo um estilo de vida que remonta a milhares de anos. Eles são os chamados "povos indígenas isolados" ou em "isolamento voluntário".

Eles são os chamados "povos indígenas isolados" ou em "isolamento voluntário".
Eles são os chamados "povos indígenas isolados" ou em "isolamento voluntário".

Diferente do que o imaginário popular sugere, esses grupos não são "primitivos" que desconhecem a nossa sociedade; a grande maioria escolheu o isolamento como uma estratégia de sobrevivência consciente e deliberada após sofrer traumas históricos causados por massacres, doenças e invasões durante os ciclos da borracha e da expansão agropecuária. 

Atualmente, a Funai adota a política de "não contato".

Desde o final da década de 1980, o governo brasileiro entendeu que forçar a aproximação dizimava comunidades inteiras devido à falta de imunidade biológica contra vírus comuns, como a gripe ou o sarampo.

O trabalho do Estado passou a ser o de monitorar os territórios à distância por meio de vestígios (como restos de fogueiras, flechas e roçados) e garantir barreiras sanitárias e territoriais para que ninguém invada essas terras. 

No entanto, manter o isolamento está cada vez mais difícil.

O avanço do garimpo ilegal, as frentes de desmatamento, o roubo de madeira e o narcotráfico transnacional avançam sobre os limites das terras indígenas protegidas, cercando essas comunidades e gerando conflitos silenciosos e letais no coração da floresta. 

Garimpo ilegal
Garimpo ilegal

Panorama dos Povos Isolados e de Recente Contato

Abaixo estão listadas algumas das principais etnias identificadas e acompanhadas pelo Estado que escolheram viver sem contato formal com civis, concentradas principalmente na região da Amazônia Legal: 

Nome da Tribo / Etnia Localização (Região / Terra Indígena) Status de Contato Principais Características e Desafios
Kawahiva do Rio Pardo Mato Grosso / Amazonas Isolamento Total Sobreviventes de grupos nômades caçadores-coletores. São monitorados exclusivamente por armadilhas fotográficas da Funai.
Moxihatëtëma Roraima (TI Yanomami) Isolamento Total Um subgrupo da etnia Yanomami que recusa contato inclusive com outros Yanomami. Sofrem forte pressão do garimpo ilegal de ouro.
Piripkura Mato Grosso Isolamento / Rígido Uma das etnias mais ameaçadas do planeta. Restam pouquíssimos membros conhecidos que vivem fugindo da expansão pecuária.
Korubo Amazonas (Vale do Javari) Isolamento / Recente Contato Conhecidos historicamente como "índios caceteiros". Alguns subgrupos foram contatados por segurança, mas a maioria permanece isolada.
Flecheiros Amazonas (Vale do Javari) Isolamento Total Exímios arqueiros que habitam o coração do Vale do Javari. Não há nenhum indivíduo contatado ou fotografado de perto pela sociedade civil.
Awá Guajá (Isolados) Maranhão (TI Caru) Isolamento Total Enquanto parte da etnia já foi integrada, pequenos grupos nômades ainda vivem isolados em florestas cercadas por ferrovias e fazendas.
Mashco Piro Fronteira Brasil-Peru Isolamento Voluntário Considerada a maior tribo isolada do mundo. Costumam aparecer esporadicamente nas margens de rios devido à pressão de madeireiros.

O Desafio do Futuro

Especialistas e indigenistas alertam que a sobrevivência dessas dezenas de povos depende unicamente da manutenção de seus territórios intocados. Sem a floresta de pé e a garantia de fiscalização efetiva, o desaparecimento dessas etnias significará a extinção de línguas, culturas e saberes cosmológicos únicos, empobrecendo a diversidade cultural da humanidade de forma irreversível. 

FONTE/CRÉDITOS: Nixson Pedrosa