Quem ganha um salário mínimo no Brasil precisa trabalhar por longos 9 anos — 105 meses de remuneração integral — só para conseguir pagar o ticket médio de um veículo zero-quilômetro. Isso é o que mostra o estudo feito com exclusividade pela consultoria Bright para o Jornal do Carro, considerando R$ 169 mil como valor médio.

Quando comparamos com outros países o abismo fica ainda mais evidente. Para comprar o carro médio, o consumidor precisa desembolsar 18 salários no Japão, 19 na Alemanha, 38 no Paraguai, 40 nos Estados Unidos e 69 na China. Entre os países analisados, a Argentina, com 136 meses, é a única em situação mais desfavorável do que o Brasil.

Mesmo se mudarmos a régua para o rendimento médio da população — de aproximadamente R$ 3.546,50 —, o cenário permanece indigesto: seriam necessários 48 meses de trabalho sem gastar nada. Até para levar o modelo mais barato do mercado hoje (aqui, consideramos o Fiat Mobi, por R$ 77.290), são exigidos 22 meses da renda média ou 48 salários mínimos, quatro anos inteiros dedicados exclusivamente ao carnê do carro.

Leia Também:

Carro popular está longe de ter preço acessível

Para que um veículo fosse considerado verdadeiramente acessível no Brasil, o valor teto deveria ser de R$ 60 mil, representando 17 meses da renda média, ainda segundo levantamento da Bright Consulting para o Jornal do Carro. Isso levando em conta o cenário econômico da população.

A discrepância nem sempre foi um abismo tão profundo. Em 2013, o icônico Fiat Uno Mille saía por R$ 23.900. Na época, bastavam 15,2 salários médios para levar o modelo zerinho para casa.

.

Propaganda do Uno Mille chamava a atenção pelo preço Foto: Fiat/Reprodução

O encarecimento reflete uma série de mudanças ao longo da última década:

  • Exigência legal de airbags e freios ABS a partir de 2014, sepultando plataformas baratas;
  • Novas regras de emissão de poluentes e maior rigor de segurança;
  • Sofisticação das cabines, com motores turbo e centrais multimídia;
  • Uma complexa cadeia que envolve o chamado “Custo Brasil”, impostos, comportamento de consumo e margens de lucro.
FONTE/CRÉDITOS: Estadão