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A guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a segurança energética global dominaram o primeiro dia da cúpula do Brics em Nova Délhi, na Índia.
O encontro reúne líderes de China, Índia, Rússia e Irã em um momento de escalada das tensões na região e de aumento das preocupações sobre o fornecimento de petróleo e as principais rotas marítimas do comércio internacional.
Criado originalmente por Brasil, Rússia, Índia e China e ampliado nos últimos anos, o Brics busca ampliar sua influência em temas econômicos e geopolíticos.
O grupo reúne atualmente 11 países e representa cerca de 40% da economia mundial, considerando a paridade de poder de compra, e mais de um quarto do comércio global.
O conflito no Oriente Médio entrou no centro da agenda após a intensificação dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A crise também passou a pressionar mercados de energia, com riscos sobre dois pontos estratégicos para o transporte marítimo: o Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, e o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico.
Neste sábado, 12, o presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a guerra “não atende aos interesses comuns da comunidade internacional”.
Segundo declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, o líder afirmou que o conflito tem causado “graves perdas aos povos da região” e defendeu que o Brics contribua para a busca por estabilidade no continente.
Pouco depois, os países do bloco divulgaram uma declaração conjunta pedindo “máxima prudência” e que sejam evitadas ações capazes de agravar ainda mais a guerra.
O documento também condenou ataques contra infraestrutura civil e instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas internacionais.
Energia e petróleo entram no centro das discussões
A preocupação econômica por trás da crise está ligada ao papel do Oriente Médio no mercado global de energia. O Estreito de Ormuz, em particular, é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás, enquanto o Bab el-Mandeb é estratégico para navios que conectam a Ásia e a Europa.
A escalada do conflito ocorre em um momento em que o bloqueio ou a ameaça às rotas marítimas já começa a pressionar os preços do petróleo. Nesta semana, o barril voltou a ultrapassar o patamar simbólico de US$ 100, segundo agências internacionais.
A Índia, uma das maiores consumidoras de energia do mundo, também é peça-chave nesse contexto. O país manteve a compra de petróleo russo, mesmo diante de pressões ocidentais, enquanto busca garantir segurança energética para sua economia.
O presidente russo, Vladimir Putin, participa da cúpula em Nova Délhi e foi recebido pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, também usou o encontro para defender uma posição contrária à presença dos Estados Unidos na região. Segundo ele, os países do Oriente Médio devem ser responsáveis pela própria segurança.
“Não precisamos de um policial na região: a integridade territorial e a segurança regional só poderão ser garantidas por seus principais atores e pelos países que a compõem”, afirmou Pezeshkian.
China tenta fortalecer influência dentro do Brics
Além da guerra, a cúpula também funciona como uma demonstração da tentativa da China de ampliar o papel do Brics como espaço de articulação entre países emergentes.
Xi Jinping afirmou que os integrantes do grupo devem rejeitar “toda forma de protecionismo” e defender o sistema comercial multilateral, com a Organização Mundial do Comércio como centro das negociações.
A presença do líder chinês em Nova Délhi também tem peso simbólico. Foi a primeira viagem de Xi à Índia desde 2019, após anos de tensão entre os dois países, especialmente depois do confronto militar na fronteira do Himalaia em 2020.
Xi e Modi realizaram uma reunião bilateral durante a cúpula, em um movimento interpretado como tentativa de reaproximação diplomática.
Apesar da busca por uma posição comum, as diferenças internas do Brics continuam sendo um desafio para o bloco.
A declaração divulgada evitou citar diretamente os países envolvidos no conflito, refletindo a necessidade de conciliar interesses de integrantes com posições distintas, como Irã, Emirados Árabes Unidos, Índia e China.
Na abertura do encontro, Modi defendeu que o Brics tenha uma atuação baseada em maior participação dos países emergentes nas decisões globais. “Cada país deve ter sua voz e sua parte”, afirmou o primeiro-ministro indiano.
O Brasil é representado na cúpula pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que lidera a delegação brasileira em Nova Délhi. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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