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A cúpula de líderes dos Brics deste ano volta a reunir, depois de dois anos, quase todos os principais membros do bloco.
Sob a presidência da Índia, o grupo se reúne em Nova Déli neste sábado (12/9) e domingo (13/9) para discutir avanços e objetivos do grupo que, nos últimos meses, passa por um teste de unidade em meio meio ao avanço da guerra no Oriente Médio.
Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — que foi incluída ao bloco quatro anos após sua criação — apenas o Brasil não será representado por seu chefe de Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas reuniões do grupo neste final de semana.
A ausência do brasileiro, de acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, foi justificada pelo calendário eleitoral, que se aproxima da reta final do 1º turno.
A equipe do presidente teve que fazer uma escolha entre a ida ao Brics ou à 81ª sessão Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na última quinzena de setembro. Como o Brasil tradicionalmente abre os discursos de chefes de Estado, a opção foi ir a Nova York (Estados Unidos), onde Lula deve falar em 22 de setembro.
Com o brasileiro ausente na Índia, em contrapartida, essa será a primeira vez que o presidente russo, Vladimir Putin, se reunirá com chefes de Estado de países dos Brics desde 2024 — quando a cúpula foi realizada em Kazan, na Rússia.
Putin enfrenta restrições de viagem há cerca de três anos, devido a um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). O presidente russo é acusado de crimes de guerra por deportação ilegal de crianças ucranianas para a Rússia.
Na prática, o mandatário russo está impedido ir para países que reconhecem a jurisdição do TPI, popularmente conhecido como Tribunal de Haia. Isso porque as nações que ratificaram o Estatuto de Roma, que estabeleceu a Corte em 2002, devem cumprir suas ordens, incluindo o mandado de prisão contra Putin.
Por isso, o líder russo não compareceu nas cúpulas dos Brics realizadas na África do Sul, em 2023, e no Brasil, em 2025. Os dois países ratificaram o tratado que estabeleceu o TPI, e seriam obrigado a prender a extraditar o presidente da Rússia caso o mesmo participasse das reuniões.
A África do Sul chegou a conceder imunidade diplomática para líderes que participaram da reunião daquele ano, que foi questionada pelo TPI e entidades internacionais. Para evitar possíveis constrangimentos diplomáticos, Putin decidiu não participar da cúpula.
O governo brasileiro chegou a ventilar a possibilidade de adotar uma medida semelhante no último ano, mas a discussão não avançou.
Tanto em 2023 quanto em 2025, o líder da Rússia participou da cúpula dos Brics por meio de videoconferência. O Kremlin foi representado oficialmente pelo chanceler russo, Sergey Lavrov em ambas as reuniões.
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