O candidato ao Senado Cid Gomes (PSB) afirmou que não se arrepende da atitude tomada durante o motim de policiais em Sobral, no interior do Ceará, episódio em que foi atingido por disparos de arma de fogo. A declaração foi dada nesta quinta-feira (10), durante sabatina no Jornal da Cidade, da TV Cidade Fortaleza, ao ser questionado se, diante da experiência vivida, faria algo diferente caso a situação acontecesse atualmente.

Ao relembrar o episódio, Cid afirmou que não saiu de Fortaleza com a intenção de confrontar os policiais. Segundo seu relato, ele decidiu ir a Sobral após receber informações de que grupos de policiais à paisana estariam utilizando viaturas e determinando o fechamento de estabelecimentos comerciais.

O então senador afirmou que recebeu vídeos e ligações de pessoas preocupadas com a situação e que se sentiu responsável por tentar levar algum tipo de apoio à população.

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“Eu me sinto responsável pela minha cidade, como eu me sinto responsável pelo meu país e pelo meu estado”, declarou Cid durante a entrevista.

A resposta do candidato ocorreu em um dos momentos mais contundentes da sabatina, quando ele foi questionado diretamente sobre arrependimento e sobre a possibilidade de agir de outra maneira se pudesse voltar àquele momento.

Cid Gomes afirma que foi a Sobral após receber relatos de comerciantes

De acordo com Cid Gomes, a decisão de ir até Sobral ocorreu depois que ele tomou conhecimento da movimentação de policiais e dos relatos de comerciantes que estariam sendo pressionados a fechar seus estabelecimentos.

Ele contou que procurou inicialmente o então prefeito de Sobral, mas não conseguiu contato porque o gestor estava em São Paulo. Diante disso, afirmou ter entendido que deveria ir pessoalmente ao município.

“Eu me senti no dever de ir lá, dar algum conforto, dar algum consolo para as pessoas”, relatou.

Segundo o candidato, ele percorreu o Centro de Sobral acompanhado por outras pessoas. A intenção, conforme sua versão, era chegar ao local onde ocorria a movimentação dos policiais.

Cid explicou que, durante o trajeto, precisou alterar o caminho porque o fluxo de uma das ruas havia sido invertido. Depois de fazer uma conversão, encontrou a via bloqueada aproximadamente 100 metros adiante.

O candidato afirmou que não teria avançado deliberadamente contra um bloqueio, mas que encontrou a rua impedida pelos policiais.

“Não fui eu que não invadi, eles estavam bloqueando a rua”, disse.

Cid diz que pediu retirada de policiais do local

Ao chegar ao ponto de bloqueio, Cid afirmou que desceu do veículo e conversou com os policiais. Segundo ele, pediu que o local fosse desocupado e classificou a ação dos agentes como ilegal.

O candidato relatou que, diante da permanência do bloqueio, decidiu avançar para demarcar um espaço. Foi nesse contexto que ocorreu o episódio envolvendo a retroescavadeira e os disparos que o atingiram.

Segundo Cid, ele não imaginava que seria baleado durante a situação.

“Nunca imaginei que levaria um tiro ou dois tiros”, afirmou na sabatina.

O episódio ocorreu em fevereiro de 2020, durante uma paralisação de policiais militares em Sobral. Cid Gomes estava em uma retroescavadeira quando avançou contra um bloqueio formado por policiais. Na ocasião, ele foi atingido por disparos e precisou ser hospitalizado.

Ao abordar o caso seis anos depois, o candidato apresentou a decisão a partir das circunstâncias específicas daquele momento. Para ele, a avaliação sobre suas atitudes precisa considerar o contexto em que os acontecimentos ocorreram.

“Naquela conjuntura não me restava nenhuma outra alternativa”, diz Cid

Durante a entrevista, Cid Gomes afirmou que as decisões tomadas naquele episódio não podem ser analisadas apenas com base no resultado posterior.

“Uma pessoa é ela e a sua conjuntura”, afirmou.

Na avaliação do candidato, diante da situação que encontrou em Sobral, ele não considerava que existisse outra alternativa compatível com aquilo que entendia ser seu dever naquele momento.

“Naquela conjuntura não me restava nenhuma outra alternativa”, declarou.

Cid também associou sua decisão a uma questão pessoal de honra. Segundo ele, recuar naquela circunstância representaria uma desmoralização que não estaria disposto a aceitar.

“Eu viveria dali pra frente sem honra. E eu não consigo viver sem honra”, afirmou.

Questionado diretamente se, portanto, havia arrependimento pela atitude, Cid respondeu que não.
Questionado diretamente se, portanto, havia arrependimento pela atitude, Cid respondeu que não.

Questionado diretamente se, portanto, havia arrependimento pela atitude, Cid respondeu que não.

A declaração mais forte veio na sequência, quando o candidato resumiu como avaliaria novamente sua decisão caso pudesse voltar àquele momento:

“Pra mim é melhor morrer com honra do que viver sem honra.”

A fala encerrou a resposta de Cid sobre um dos episódios mais marcantes de sua trajetória política e pessoal no Ceará.

Episódio da retroescavadeira continua ligado à trajetória política de Cid

O confronto em Sobral permanece como um dos acontecimentos mais conhecidos da trajetória política de Cid Gomes. O episódio ocorreu em meio à paralisação de policiais militares que marcou o Ceará em 2020.

A lembrança do caso voltou ao debate político durante a sabatina porque Cid disputa novamente um cargo eletivo e busca uma vaga no Senado nas eleições de 2026.

Ao responder à pergunta, o candidato não apresentou uma mudança de posição em relação ao episódio. Pelo contrário, reafirmou que sua decisão deve ser compreendida a partir das circunstâncias daquele momento e disse que não se arrepende do que fez.

A manifestação também evidencia como episódios anteriores da carreira dos candidatos podem voltar ao centro do debate durante uma campanha eleitoral. Para o eleitor, a discussão permite conhecer não apenas propostas para o futuro, mas também a maneira como os postulantes avaliam decisões tomadas em momentos de crise.

No caso de Cid, a resposta foi marcada pela defesa de sua postura diante do motim e pela afirmação de que agiria de acordo com aquilo que entendia ser seu dever naquele contexto.

Cid Gomes participa da série de sabatinas da TV Cidade

A entrevista de Cid Gomes faz parte da programação especial da TV Cidade Fortaleza com candidatos ao Senado nas eleições de 2026.

As sabatinas são exibidas dentro do Jornal da Cidade e têm duração de 20 minutos. Durante o período de propaganda eleitoral, o telejornal começa excepcionalmente às 19h05 para acomodar a programação especial.

Depois de Cid Gomes, a programação prevê a participação de Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), conforme o calendário estabelecido pela emissora.

Os candidatos também participam de entrevistas de 40 minutos no Café com Verdade – Eleições, apresentado pelo jornalista Tiago Lima. O conteúdo fica disponível no Spotify e no canal do GCMAIS no YouTube.

As entrevistas ainda são transmitidas pela Jovem Pan News Fortaleza, dentro do Pan News em Revista – 2ª edição, a partir das 16h, de acordo com o calendário de cada candidato.

A sabatina de Cid Gomes, portanto, colocou novamente em discussão um episódio que marcou sua trajetória e que, seis anos depois, continua sendo utilizado para avaliar sua atuação política em situações de conflito. Ao ser questionado se faria algo diferente, o candidato foi categórico ao dizer que não se arrepende e sustentou que sua decisão foi determinada pelas circunstâncias vividas naquele momento.

FONTE/CRÉDITOS: gc+