O candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB), apresentou uma proposta que prevê a união de micro e pequenos empreendedores para montar a “produção e comercialização em escala”. A proposta para o setor, em um eventual mandato, reedita uma criação do seu primeiro governo (1990-1994), a União dos Supermercados do Ceará (Unisuper). Ciro disse querer manter a competição entre os diferentes concorrentes, mas que parte das iniciativas devem acontecer de forma conjunta.

“Eu criei a Unisuper, que depois evoluiu e ainda hoje existe, que consiste em associar os pequenos, para que eles possam ganhar escala em conjunto. Isso está, mais do que nunca, necessitando hoje. Então, por que a Amazon tem essa estrutura tão grande? Escala. Nós precisamos reunir os pequenos para que eles ganhem escala, ainda que mantenham a competição entre si, na busca do cliente do balcão para fora, mas no fornecimento, na capacitação, na tecnologia.”

De acordo com o tucano, sua proposta também é focar em “limpar o nome” de micro e pequenos empreendedores que estão em débito no Serasa. “A propósito, [as dívidas são] outra coisa que eu quero ajudar as micro e pequenas empresas a superar. Hoje um terço delas no Ceará estão no Serasa, na iminência de quebrar.” Em junho, o Ceará foi o terceiro do Nordeste e o décimo primeiro do Brasil com maior número de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) inadimplentes. Os dados são do Serasa Experian do mês de julho, último levantamento disponível no portal da instituição. 

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Reeditando propostas
As propostas de Ciro reeditam, em partes tanto seu primeiro governo, quanto às propostas do plano de governo do candidato em 2018 e 2022, anos em que concorreu à Presidência da República. A Unisuper foi criada em 1992, quando o tucano estava à frente do Palácio da Abolição. O contexto era o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello (à época filiado ao PRN), que teve impactos na economia e no valor da moeda brasileira. 

Ciro também bebe na mesma fonte de suas propostas como presidenciável. Em ocasiões distintas, em 2022 e 2018 o tucano apresentou o “Programa Nome Limpo”, proposta de governo que defendia retirar o nome dos inadimplentes do Serasa. Agora, o candidato volta a propor a retirada de nomes inadimplentes do Serasa A proposta é voltada para consumidores individuais, ou seja, pessoas físicas. 

“Eu vou fazer um programa que se chama Zero Dívida. Eu tô dando nomes assim, provisoriamente, mas chama Zero Dívida. Nós vamos pegar todas as dívidas até R$500, isso significa 31%, quase um terço de todos os cearenses, e o Estado vai estruturar uma renegociação.”

O tucano comparou a proposta com as negociações da instituição. “Essa renegociação, começa com o Estado obtendo no lugar do consumidor o desconto. Porque qual é o defeito daquela cópia malfeita que fizeram da minha ideia lá atrás? É que eles simplesmente assumiram o débito 100%. Agora esse débito 100% é uma fraude. E quando você vai para o leilão do Serasa, sozinhos, o Serasa consegue dar até 90% de desconto. Por que que o Estado não vai ajudar a população endividada a obter esse desconto? Isso dá perfeitamente para fazer.”

FONTE/CRÉDITOS: O Estado