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Uberaba (MG)* - “Não temos limite para crescer”, afirma José Batista Júnior, conhecido por Júnior Friboi e fundador da JBJ Agropecuária, gigante brasileira do agronegócio.
Em entrevista à EXAME, durante o Leilão JBJ Genetics e Família Nelorista, realizado pelo grupo em Uberaba, Minas Gerais, o empresário fala com otimismo sobre o crescimento da empresa no Brasil.
“Oportunidade de crescer o negócio surge todo dia. Basta você acreditar no que está fazendo,” afirma Júnior Friboi.
A ambição por ganhar escala não é novidade na trajetória do empresário, nem da família Batista. A JBS, fundada em 1953 por José Batista Sobrinho, pai de Júnior Friboi, nasceu como um pequeno negócio de carne em Goiás e se transformou em uma multinacional de alimentos, com atuação em proteínas como carne bovina, suína e de frango, além de alimentos preparados.
Júnior participou dessa expansão antes de fundar, em 2012, a JBJ Agropecuária, também em Goiás, que leva suas iniciais e concentra seus negócios principalmente no agronegócio e na cadeia bovina, com fazendas, confinamento, genética, agricultura e frigoríficos, estes por meio da Prima Foods. Além do gado, o grupo também trabalha com equinos.
“Quando você cria uma empresa com a sigla do seu nome, te dá muito mais credibilidade e muito mais responsabilidade, porque o seu nome está envolvido", diz Júnior Friboi.
A ambição da família que gera novos 'reis do gado'
A ambição por crescer parece ser um traço da família que gera 'reis do gado' no Brasil.
Júnior Friboi construiu boa parte de sua trajetória dentro da JBS. Após 25 anos na presidência da companhia, em 2005 passou o comando ao irmão, Joesley Batista, e, em 2012, decidiu escrever um novo capítulo da história da família no agronegócio criado a própria empresa.
O tamanho alcançado pela JBS ajuda a dimensionar a ambição da família Batista. Em 2025, a companhia registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, com mais de 250 fábricas, produção em 17 países e produtos comercializados em mais de 180 mercados.
“Quando eu presidi a JBS, eu comecei com a JBS abatendo 20 bois por dia. Aí hoje você pergunta: tem limite? Não tem. A JBS está crescendo todo dia, e a JBJ também.”
É com esse pensamento que Júnior Friboi lidera a JBJ Agropecuária, junto com o filho Fabrício Batista. A JBJ chegou a um faturamento de R$ 6 bilhões em 2025, e cresce com produção no Brasil por meio de 14 fazendas, 4 frigoríficos e milhares de cabeça de gado e leilões de cavalo e gado de raça.
Questionado sobre a meta apresentada pela gestão de levar a JBJ a R$ 10 bilhões de faturamento até 2027, Júnior apontou uma estratégia diversificada, como ampliar confinamentos, expandir a operação frigorífica da Prima Foods, avançar em produtos de maior valor agregado e continuar prospectando oportunidades dentro e fora do Brasil.
“Nós vamos adquirir mais algumas plantas. Estamos num processo de expansão”, diz o empresário.
Leilão de gado: uma aposta na genética pecuária
Uma das oportunidades de crescimento do negócio, segundo Júnior Friboi, é o melhoramento genético do gado. Tanto que o grupo JBJ tem como uma das empresas a JBJ Genetics, que anunciou em março deste ano a compra do Nelore JMP, uma das marcas mais reconhecidas na seleção de genética no país.
“O Brasil lá atrás não tinha uma preocupação com a genética, com a qualidade. Nós abatíamos animal de quatro, cinco anos. Hoje nós estamos abatendo, cada ano que passa, animal mais novo, mais precoce.”
O grupo realizará só neste ano 13 leilões de gados de raça no Brasil, sendo dois presenciais, um neste fim de semana em Uberaba, Minas Gerais, e outro em outubro em Nazário, Goiás.
O evento de Minas Gerais, inclusive, bateu um novo recorde neste sábado, 15: o Leilão JBJ Genetics e Família Nelorista movimentou R$ 42 milhões em dois dias, representando um aumento de 23% em relação ao último ano.
Prima Foods e pecuária devem ganhar escala
A criação é hoje um das grandes frentes do negócio da JBJ, mas expansão da companhia passará principalmente pela Prima Foods, braço frigorífico do grupo.
Hoje, segundo Júnior Friboi, 72% da produção da companhia é destinada à exportação. A intenção é crescer tanto no mercado externo quanto em industrializados.
“A Prima Foods vai crescer no industrializado, no processado, no commodity, na exportação. Tudo de valor agregado,” diz o empresário.
No caso dos Estados Unidos, o empresário explica que a carne brasileira vai para o hambúrguer, para a carne moída, e não para o supermercado, que conhecemos como consumo premium.
Na pecuária, outro projeto ajuda a dimensionar os planos. A JBJ prepara um novo confinamento na Fazenda Ressaca, em Cáceres, no Mato Grosso, com capacidade projetada para 100 mil bois estáticos.
O grupo também avalia oportunidades na criação de gado em estados como Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, regiões que concentram parte relevante do rebanho brasileiro.
Internacionalização continua no radar
Depois de participar da expansão internacional da JBS, Júnior Friboi não descarta repetir esse caminho com a JBJ.
Uma fábrica nos Estados Unidos ou em outro país, assim como uma fazenda no exterior, pode fazer parte do futuro, mas o empresário evita estabelecer um cronograma. Para ele, movimentos desse porte dependem da oportunidade e do momento certo.
“O sonho existe. O sonho sempre existiu. Por isso é que nós criamos a JBS, internacionalizamos a JBS, e assim uma coisa de cada vez,” afirma.
Júnior Friboi também vê a relação da família com a JBS como uma vantagem nessa estratégia. Segundo ele, a presença global da companhia criada pela família funciona como uma ponte para os negócios da JBJ.
“Tudo que eu precisar para internacionalizar a JBJ, nós temos a JBS no mundo inteiro dando suporte”, diz Júnior Friboi.
China cresce e Estados Unidos funcionam como ‘certificado’
Na visão do empresário, a expansão da pecuária brasileira está diretamente ligada ao avanço em genética e qualidade do rebanho.
Júnior Friboi lembra que, no passado, o país chegava a abater animais com quatro ou cinco anos. Hoje, a pecuária consegue produzir animais cada vez mais precoces, melhorando características como sabor e textura da carne, um processo que, segundo ele, contribuiu para abrir mercados internacionais.
A China deve continuar como um dos principais destinos. Mesmo com eventuais medidas de proteção ao produtor local, Júnior acredita que o consumo de carne bovina continuará avançando no país.
“A China, todo ano, começou a comprar carne do Brasil e ela não vai parar mais,” diz o empresário.
Já os Estados Unidos têm uma importância diferente. Para Júnior, estar habilitado a vender ao mercado americano funciona como uma espécie de selo de qualidade para outros destinos.
“Os Estados Unidos são muito mais o certificado do que o volume. Porque você estando habilitado para os Estados Unidos, o mundo inteiro acredita no Brasil,” afirma.
Segundo ele, boa parte da carne brasileira enviada ao país abastece a indústria de hambúrguer e carne moída. Com a redução do rebanho americano, o produto brasileiro ganhou espaço para complementar a oferta local.
Além de China e Estados Unidos, Júnior cita Emirados Árabes, outros mercados do Oriente Médio, Indonésia, Vietnã, Chile e Europa entre os destinos relevantes ou em processo de abertura para a carne produzida pelo grupo.
Mercosul x União Europeia: um acordo que ainda não vale para a JBJ
Júnior também vê com cautela os efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre o agronegócio brasileiro. Na avaliação do empresário, a abertura comercial continuará condicionada à necessidade de abastecimento dos países europeus, que enfrentam pressão de produtores locais para proteger o mercado.
“Ele só vai dar certo o dia que eles precisarem de nós”, afirma. “A hora que faltar lá, eles vêm aqui. Aí vale o acordo. Se não faltar lá, o acordo está assinado, mas não está valendo”, diz Júnior Friboi.
“Quem vai salvar a fome do mundo vai ser o Brasil”
A confiança na expansão da JBJ acompanha uma visão otimista de Júnior sobre o futuro do agronegócio brasileiro.
Para ele, terra fértil, disponibilidade de água, capacidade produtiva e custos competitivos colocam o Brasil em posição privilegiada diante do aumento da demanda mundial por alimentos.
“Daqui há 10 ou 20 anos, o Brasil vai ser o salvador da fome do mundo. Quem vai salvar a fome do mundo vai ser o Brasil”, diz Júnior Friboi.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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