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MADRI – Em uma reviravolta política drástica, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou a dissolução das Cortes Gerais (o Parlamento espanhol) e a convocação de eleições gerais antecipadas para o dia 29 de novembro.
O anúncio, realizado a partir do Palácio da Moncloa, põe um fim abrupto a uma legislatura que originalmente deveria se estender até 2027.A decisão do líder socialista ocorreu após uma contundente derrota política no Congresso dos Deputados.
Parlamentares rejeitaram dois decretos-lei cruciais elaborados pelo governo para conter a severa crise de habitação e o custo dos aluguéis no país.
O Estopim: A Crise Habitacional e os Protestos de Rua
O clima político em Madri e em outras grandes capitais espanholas deteriorou-se rapidamente nas últimas semanas. O estopim social ocorreu após o despejo de uma idosa de 87 anos em Madri, que morava no mesmo apartamento há sete décadas, após o imóvel ser adquirido por um fundo que reajustou o aluguel em 275%.
O caso gerou indignação pública generalizada e impulsionou massivos protestos populares e ameaças de greves de inquilinos.Em resposta à pressão das ruas, o governo minoritário de coalizão de Sánchez editou medidas extraordinárias de urgência. Os pacotes previam:
- O congelamento de contratos de aluguel por dois anos;
- A proibição temporária de despejos de famílias em situação de vulnerabilidade;
- Mecanismos para coibir a especulação imobiliária.
No entanto, a extrema fragmentação e fragilidade parlamentar do bloco governista cobraram o seu preço. A oposição barrou os decretos na Câmara, deixando o Executivo sem base de sustentação para sua principal bandeira social do momento.
Uma Cartada de Alto RiscoAo oficializar a decisão após consultar o rei Felipe VI, Sánchez adotou um tom de convocação à sociedade. O primeiro-ministro justificou a antecipação como o único caminho para superar o bloqueio legislativo.
"Devemos mobilizar-nos e garantir que o Parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla e progressista, com a qual possamos derrotar as elites e conquistar novos avanços sociais", declarou Sánchez.
Apesar do tom combativo, analistas políticos locais apontam a manobra como um movimento de altíssimo risco. Além do desgaste provocado pela crise imobiliária, o governo de Sánchez enfrenta pressões decorrentes de investigações judiciais envolvendo seu círculo próximo e descontentamentos com a gestão migratória.
Oposição Celebra e Lidera Pesquisas
Do outro lado do espectro político, a direita e a extrema-direita celebraram a dissolução das Cortes. O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, principal força de oposição, reagiu de forma contundente ao anúncio. Feijóo afirmou que Sánchez perdeu o controle "do Parlamento e das ruas" e definiu o próximo pleito como "um embate entre a Espanha e Pedro Sánchez".
As pesquisas de intenção de voto mais recentes colocam o PP na liderança. Contudo, os dados indicam que os conservadores não devem alcançar a maioria absoluta sozinhos, o que pode forçá-los a depender de uma coalizão com o partido de direita Vox para conseguir governar.
Com a publicação do decreto de dissolução no Boletim Oficial do Estado, a Espanha entra formalmente em período de campanha eleitoral.
O país irá às urnas em menos de dois meses para decidir se renova o mandato da esquerda ou se entrega o comando do Palácio da Moncloa a uma nova coalizão de direita.
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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