A área onde o agricultor Sidrônio Moreira encontrou petróleo ao perfurar um poço artesiano em Tabuleiro do Norte, no sertão do Ceará, agora faz parte oficialmente de um bloco exploratório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A diretoria da agência aprovou por unanimidade a indicação de 24 novos blocos terrestres na Bacia Potiguar. Entre eles está o bloco POT-T-551, que inclui o Sítio Santo Estevão, propriedade de Sidrônio.

A ANP confirmou a informação nesta sexta-feira (4). O agricultor acompanhou a reunião da diretoria da agência por transmissão no campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE), ao lado do filho, Sidnei Moreira, e do engenheiro químico Adriano Lima, que acompanha o caso.

Leia Também:

“Eu fiquei muito animado, porque é mais um passo. Vai andar para frente. Resolver isso o quanto antes é bom para nós”, afirmou Sidrônio.

Área com petróleo entra em oferta da ANP

A aprovação representa uma etapa inicial para incluir a área na Oferta Permanente de Concessão, modalidade de leilão contínuo de áreas destinadas à exploração de petróleo e gás.

No entanto, a decisão da ANP não significa que a extração começará imediatamente. Antes disso, a área ainda precisa passar por avaliações ambientais, novos estudos geológicos e autorizações dos órgãos e ministérios responsáveis.

Depois dessas etapas, a agência poderá publicar um edital e, eventualmente, selecionar uma empresa para explorar a região.

Agricultor procurava água quando encontrou petróleo

Sidrônio encontrou o petróleo por acaso em novembro de 2024, quando procurava água para os animais da propriedade. Na época, a região enfrentava problemas de abastecimento.

Para perfurar o poço artesiano, o agricultor tomou um empréstimo de R$ 15 mil e comprometeu parte da aposentadoria. A primeira perfuração passou de 40 metros de profundidade, mas a equipe encontrou um líquido escuro, viscoso, inflamável e com forte odor em vez de água.

Em seguida, uma segunda perfuração ocorreu a cerca de 50 metros do primeiro ponto. Novamente, o material apareceu, desta vez a 23 metros de profundidade.

Diante da descoberta, as equipes interromperam as perfurações e isolaram os locais.

Análises iniciais realizadas pelo IFCE, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), indicaram a presença de hidrocarbonetos.

Secure pharma productionSecure pharma productionSiemensSiemens·Patrocinadocall to action icon

Já em maio de 2026, após novas visitas técnicas e coletas, um laboratório da ANP confirmou que o material correspondia a petróleo cru pesado.

Sidrônio não pode vender o petróleo

Apesar da descoberta no terreno, Sidrônio não pode comercializar ou explorar o petróleo por conta própria.

Isso ocorre porque a legislação brasileira determina que os depósitos de hidrocarbonetos no território nacional pertencem à União. Portanto, a eventual exploração depende de autorização e dos procedimentos estabelecidos pelo governo federal.

Caso os estudos indiquem viabilidade comercial e uma empresa autorizada inicie a produção, o proprietário do terreno poderá receber uma participação entre 0,5% e 1% do valor da produção, além de indenizações relacionadas às instalações necessárias para a exploração.

Família não pretende vender propriedade

O Sítio Santo Estevão tem 49 hectares e já recebeu propostas não oficiais de compra.

A família Moreira, contudo, afirma que não pretende vender a propriedade. “Não temos interesse em vender”, declarou Saullo Santiago, outro filho de Sidrônio.

FONTE/CRÉDITOS: BPMoney