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A Uber anunciou nesta quarta-feira, 2, que vai eliminar cerca de 3,3 mil postos de trabalho, em uma das maiores rodadas de demissões da empresa desde a pandemia de Covid-19.
O corte representa aproximadamente 10% de sua força de trabalho corporativa e faz parte de uma reorganização que pretende reduzir custos e tornar a companhia menos complexa.
Segundo o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, a expansão acelerada da empresa nos últimos anos criou uma estrutura com mais níveis de gestão, equipes fragmentadas e sobreposição de responsabilidades.
A companhia pretende reduzir em 20% o número de gestores, eliminando centenas de cargos.
A expectativa é que a reestruturação produza cerca de US$ 825 milhões (R$ 4,4 bilhões) em economia anual, segundo estimativa de analistas do Citi.
Parte desses recursos deverá ser direcionada para os investimentos da Uber em veículos autônomos, área que se tornou uma das principais apostas estratégicas da companhia.
A Uber planeja investir mais de US$ 10 bilhões na expansão de sua rede de robotáxis e pretende operar esse tipo de serviço em pelo menos 15 cidades ainda neste ano. A empresa disputa esse mercado com a Waymo, controlada pela Alphabet, e com a Tesla, de Elon Musk.
A corrida pelos veículos autônomos ocorre em um momento em que a Uber também enfrenta desafios em seu negócio de entrega de alimentos. Nos Estados Unidos, o Uber Eats perdeu participação para a DoorDash, que atualmente concentra cerca de 64% do mercado americano, segundo dados da YipitData. A Uber possui aproximadamente 31%.
Em outros mercados, porém, o desempenho é diferente. O Uber Eats ganhou participação no Reino Unido, na França e na Alemanha. A divisão passa por uma reorganização desde a saída de Susan Anderson, que deixou o comando do negócio em junho, pouco mais de um ano depois de assumir a função.
Andrew Macdonald, presidente da Uber, assumiu interinamente a área e está conduzindo uma revisão da estrutura. A empresa já começou a integrar equipes responsáveis por operações de entregadores, restaurantes e varejo e procura um novo responsável global pela divisão de delivery, além de um executivo para a área comercial.
Além dos cortes de pessoal, a Uber pretende reduzir pela metade o número de equipes formadas por apenas um ou dois funcionários e diminuir a quantidade de empregados que estão a sete ou mais níveis hierárquicos abaixo de Khosrowshahi.
A companhia também endurecerá sua política de trabalho presencial. Aproximadamente 1% dos funcionários poderá trabalhar remotamente, enquanto a maior parte dos empregados deverá cumprir a regra que exige presença nos escritórios três dias por semana.
A reorganização ocorre enquanto a Uber amplia sua atuação no mercado de veículos autônomos. No Reino Unido, a Wayve, parceira da companhia, recebeu autorização para iniciar um serviço comercial de robotáxis em Londres, inicialmente com um motorista supervisor dentro do veículo.
Ao mesmo tempo, a Uber se prepara para incorporar a operação da Delivery Hero, grupo alemão de entrega de alimentos que será adquirido por € 13 bilhões. O acordo, anunciado em julho, amplia a presença da companhia no setor justamente quando a competição pelo mercado de delivery americano se intensifica.
A combinação entre redução de custos e aumento dos investimentos em novas tecnologias indica uma mudança de prioridade na companhia: enquanto simplifica sua estrutura tradicional, a Uber busca liberar recursos para disputar um mercado que pode transformar o transporte por aplicativo nos próximos anos.
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