O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou o fim das eleições em seu país, e logo no dia seguinte, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, discursou afirmando que o seu candidato aliado, Iván Cepeda, foi o verdadeiro vencedor das eleições colombianas, contestando o resultado oficial.
O cenário detalhado de cada um dos casos explica a atual crise diplomática:
1. O fim das eleições na NicaráguaNo domingo (19 de julho de 2026), durante a celebração do aniversário da Revolução Sandinista, o líder Daniel Ortega fez uma aparição pública após dois meses de sumiço e chocou a comunidade internacional ao declarar textualmente:
“Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder".
O argumento de Ortega:
Ele afirmou que a medida serve para bloquear a oposição, a quem acusa de ser financiada e articulada pelos "ianques" (Estados Unidos) para promover golpes de Estado.
Contexto:
Ortega governa de forma ininterrupta desde 2007 e já vinha centralizando o poder através de reformas constitucionais.
Em 2025, ele nomeou sua esposa, Rosario Murillo, como "copresidente" e estendeu o mandato para seis anos. Com essa nova declaração, ele enterra de vez qualquer transição democrática no país.
2. A declaração de Gustavo Petro na ColômbiaNa segunda-feira (20 de julho de 2026) — exatamente um dia após a fala de Ortega —, o presidente colombiano Gustavo Petro fez um pronunciamento inflamado rejeitando a vitória oficial do candidato de direita, Abelardo de la Espriella, nas eleições presidenciais que ocorreram em junho.
Petro afirmou que quem ganhou de verdade foi o senador de esquerda Iván Cepeda, seu aliado político.
As acusações de Petro:
Petro alega que houve uma gigantesca fraude digital operada por empresas privadas de infraestrutura eleitoral e com a interferência direta de governos estrangeiros, mencionando nominalmente os Estados Unidos (através de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio) e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O impasse:
O próprio candidato de esquerda, Iván Cepeda, já havia vindo a público semanas antes reconhecer a derrota para acalmar os ânimos no país. Mesmo assim, Petro insistiu na tese de fraude e convocou a militância para a desobediência civil, embora tenha garantido que deixará o cargo na data prevista (7 de agosto de 2026), quando termina seu mandato.