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Em um festival de inovação, conversas sobre as transformações nos negócios quase sempre giram em torno de temas como inteligência artificial, novas formas de consumo e as mudanças no mercado de trabalho. Foi uma grata surpresa, portanto, a proposta do SP2B de trazer a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 como fio condutor para discutir o futuro dos negócios, do turismo e do próprio esporte.
No primeiro dia do evento, realizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, executivos de marcas como Adidas, Coca-Cola, Hyundai e Visa estiveram ao lado de representantes de organizações como Fifa e Embratur para conversas sobre o Mundial. Em especial, sobre como o torneio é uma oportunidade de testar novas formas de relacionamento com consumidores, ampliar o espaço da modalidade e transformar a competição em uma plataforma capaz de impulsionar negócios e a própria economia do país.
Em entrevista à EXAME, Thiago Jannuzzi, diretor executivo de operações da Copa do Mundo Feminina da Fifa Brasil 2027, é direto ao explicar por que o debate sobre o torneio cabe perfeitamente em um festival voltado ao futuro:
“O futebol feminino é o futuro do futebol.”
Para o executivo, a expectativa da Fifa é entregar a maior e melhor edição da história do campeonato. Do ponto de vista dos negócios, investir agora também é inteligente.
“Investir agora no futebol feminino é inteligente: ainda é um ativo mais atraente e acessível que o futebol masculino, com potencial de retorno já no curto e médio prazo”, diz Jannuzzi.
Ecossistema de negócios
Para as marcas, a Copa Feminina 2027 representa uma grande oportunidade de exposição, além de uma janela de conexão com um público que ainda está sendo disputado.
Carla Mita, vice-presidente de marketing da Visa no Brasil, conta que a companhia vê o Mundial como uma plataforma de negócios que pode conectar diferentes interesses. A empresa é parceria global da Fifa até 2030, garantindo apoio à Copa do Mundo Feminina de 2027.
“Queremos, cada vez mais, transformar a Copa do Mundo em uma grande plataforma que conecta esporte, tecnologia e negócios. Sabemos que é possível não só aumentar a visibilidade do futebol feminino, mas também movimentar áreas como o empreendedorismo feminino”, analisa a executiva.
Já a Hyundai, que é patrocinadora oficial da Copa do Mundo Feminina desde 1999, prepara ativações voltadas a diferentes públicos — dos torcedores habituais a mulheres que ainda não acompanham futebol e aos fãs da modalidade masculina.
“Será um momento de capturarmos a atenção do público, mas também de todo o ecossistema envolvido com o Mundial. Por isso, é também um momento para ouvir as dores, unir forças e criar estratégias para que o esporte seja mais apoiado”, avalia Ebru Semizer, diretora de marketing da Hyundai Motors Brasil.
O Brasil como destino
Encomendado pela Embratur, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que a Copa Feminina 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, considerando tanto os gastos do público quanto os investimentos necessários para a realização do evento.
A projeção é de R$ 3,8 bilhões em contribuição ao PIB, R$ 4,5 bilhões em geração de renda e R$ 928 milhões em arrecadação tributária.
O estudo também ajuda a explicar por que a competição passou a interessar a setores que vão além do futebol. A estimativa é de que pelo menos 2 milhões de pessoas acompanhem os jogos presencialmente, enquanto o impacto associado ao público deve chegar a R$ 4,7 bilhões.
Para Roberto Gevaerd, diretor de gestão e inovação da Embratur, a o evento faz parte de uma estratégia maior de posicionamento do Brasil.
“A Copa do Mundo Feminina permite apresentar ao exterior a diversidade cultural e natural brasileira e reforçar a imagem de um país plural. Tudo isso em um momento em que o país vem crescendo como destino escolhido por milhões de estrangeiros”, destaca.
Hotelaria, restaurantes, comércio, transporte, entretenimento e serviços podem capturar parte do fluxo de visitantes. A expectativa, segundo Gevaerd, é a criação de mais de 70 mil empregos.
Um legado a ser construído
Ainda segundo dados do estudo feito pela FGV, 73% dos brasileiros avaliam a Seleção Feminina de forma positiva ou muito positiva, enquanto 54% dizem sentir orgulho da equipe. Ao mesmo tempo, 59% dos brasileiros nunca foram a um estádio de futebol. Dentro desse grupo, 72% são mulheres.
Para Tamires Dias, jogadora do Corinthians e da Seleção Brasileira, a questão não é necessariamente criar interesse, mas remover barreiras para que o interesse do público vire presença e acompanhamento recorrente.
“Como legado da Copa do Mundo 2027, espero um futuro onde as marcas apoiem cada vez mais atletas e clubes. Espero ver muitos outros clubes com seus próprios patrocinadores”, finaliza.