O número de brasileiros que declaram saída fiscal do país cresceu 80,65% entre 2021 e 2026, passando de 25.797 para 46.603 declarantes até o dia 19 de agosto deste ano, de acordo com dados da Receita Federal.

O movimento reflete, segundo a editora e analista de Economia da CNN Lucinda Pinto ao Hora H, uma busca por diversificação de portfólio e redução da exposição ao chamado "risco Brasil".

Diversificação e mobilidade patrimonial

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Para Lucinda, o fenômeno está relacionado, sobretudo, à estratégia de diversificação de investimentos. "O investidor, esse brasileiro, está buscando alternativas para se expor um pouquinho menos ao risco Brasil, que anda bastante elevado", afirmou.

Ela ressaltou que, na maior parte dos casos, não é necessariamente a pessoa que vai embora, mas sim o dinheiro. "Não necessariamente ele vai embora, o dinheiro dele que vai embora", explicou.

Lucinda destacou ainda que o universo de contribuintes envolvidos, embora expressivo em termos de crescimento percentual, ainda é relativamente restrito. Trata-se, em geral, de pessoas com maior poder aquisitivo e volume de recursos relevante.

"Em grande medida, aproveitando a mobilidade que as próprias leis brasileiras permitem, de que se leve o dinheiro para fora e se traga de volta", acrescentou.

Formalização e esforço da Receita Federal

Parte do crescimento registrado nas declarações de saída fiscal, segundo a analista, está associada a um processo de formalização. Muitos contribuintes já mantinham recursos no exterior, inclusive em paraísos fiscais, sem a devida declaração.

"O que está havendo é um grande esforço da Receita Federal no sentido de regularizar essa situação e essas pessoas passarem a declarar a existência desse dinheiro fora do país", explicou.

Saída de capital estrangeiro e fechamento dos mercados

O movimento de saída de capital não se restringe aos brasileiros. Lucinda apresentou dados sobre o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, indicando que agosto caminhava para registrar a maior saída desde 2008.

"A gente já caminha para bater essa marca de quase 20 anos, 18 anos, essa marca importante", afirmou. Entre os fatores citados estão a incerteza eleitoral e a preocupação com a atividade econômica.

"O investidor de bolsa quer que as empresas deem lucro. Se a atividade econômica vai ficar mais fraca, que é o que se discute hoje, então esse investidor prefere tirar o dinheiro dele daqui", disse.

Apesar do cenário adverso, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,85%, retomando os 170 mil pontos. Lucinda atribuiu o movimento, em parte, à expectativa em torno de resultados de pesquisa eleitoral do Datafolha e à melhora nos mercados internacionais

FONTE/CRÉDITOS: CNN Brasil