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O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de recuperação judicial, mostra comunicado enviado ao mercado na noite deste domingo, 16. O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
A companhia encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma dívida bruta de 4,1 bilhões de reais, segundo balanço divulgado neste fim de semana. No entanto, a empresa possui um caixa e contas a receber de 2,9 bilhões, o que gere um déficit de 1,2 bilhão de reais na varejista.
Para piorar a situação, a companhia amarga prejuízo de 11 bilhões de reais no acumulado de 2026, piora de 1.061% na comparação com o prejuízo de 963 milhões de reais do primeiro semestre de 2025.
Em 2025, o prejuízo consolidado acumulado pela companhia havia ficado perto de 3 bilhões de reais.
Um dos principais pontos de pressão está nas despesas financeiras em um cenário de juros altos. Ao mesmo tempo, o elevado endividamento das famílias tem restringido o consumo, dificultando uma recuperação mais forte das vendas.
A companhia passou por uma recuperação extrajudicial em 2024, após um desequilíbrio em sua estrutura de capital. O processo foi solucionado em acordo com os bancos, mas a empresa continuou convivendo com o impacto das despesas financeiras e com a necessidade de melhorar seus resultados, que ficaram no vermelho.
A recuperação judicial também envolve nove subsidiárias do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções, ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express Logística e Transporte, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.
Segundo a companhia, a decisão ocorre em um cenário de liquidez restrita, agravado por um ambiente macroeconômico marcado por juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. A empresa também afirmou que alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.
O pedido representa mais uma etapa do processo de reestruturação financeira do grupo. A Casas Bahia afirma que pretende preservar a continuidade das operações, proteger a geração de valor no futuro e encontrar uma solução ordenada para o pagamento de suas obrigações.
Operações devem continuar
Apesar do pedido, a companhia informou que pretende manter as operações em todos os canais existentes durante o processo de recuperação judicial. A prioridade, segundo o fato relevante, será preservar o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes e mantendo os atuais níveis de qualidade e serviço.
A estratégia prevê uma revisão da estrutura operacional, com concentração em negócios considerados mais rentáveis e com maiores margens de contribuição. Paralelamente, a companhia pretende renegociar e alongar suas dívidas financeiras e operacionais.
A intenção é utilizar o processo de recuperação judicial para reorganizar a estrutura de capital e buscar uma solução definitiva para as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo.
Assembleia terá de ratificar decisão
O Conselho de Administração também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária. Os acionistas deverão apreciar a ratificação da decisão de entrar com o pedido de recuperação judicial, tomada em caráter de urgência.
O acionista controlador da companhia também aprovou o pedido, segundo o documento divulgado ao mercado.
A Casas Bahia afirmou que manterá os acionistas e o mercado informados sobre os próximos desdobramentos do processo e disponibilizará a documentação exigida pela legislação e pelas normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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Imprensa Livre do Ceará | Jornalismo Independente
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