O Grupo Casas Bahia chega ao processo de recuperação judicial com um volume de ações trabalhistas proporcionalmente maior do que o registrado por outras grandes varejistas. Segundo levantamento da Pact, empresa especializada em gestão e reestruturação de passivo judicial corporativo, a companhia acumula 27.295 processos trabalhistas ativos.

O número equivale a 89,5 ações para cada 100 funcionários, ou quase um processo por empregado. Nas outras duas varejistas analisadas pela Pact, os índices ficam em 14,4 e 7,7 ações para cada 100 colaboradores.

Além disso, a diferença permanece quando o levantamento considera o faturamento das companhias. A Casas Bahia registra 938 processos trabalhistas para cada R$ 1 bilhão de receita. Enquanto isso, as concorrentes analisadas apresentam 155 e 169 ações na mesma proporção.

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O levantamento ocorre após o Grupo Casas Bahia protocolar, em 16 de agosto, pedido de recuperação judicial. A companhia relacionou o processo principalmente ao aumento do custo financeiro e à pressão dos juros sobre sua operação. No entanto, os dados da Pact colocam a gestão do passivo trabalhista entre os fatores que também podem pesar sobre o caixa durante uma reestruturação.

Constrições judiciais superam índices de outras varejistas

Outro indicador destacado pela análise é a taxa de constrição judicial. Na Casas Bahia, 12,7% das ações trabalhistas ativas registram algum tipo de bloqueio ou restrição judicial. Nas outras duas empresas analisadas, os percentuais ficam em 8,3% e 7,2%.

A Justiça pode determinar uma constrição para bloquear valores ou restringir bens com o objetivo de garantir o pagamento de uma obrigação. Por isso, esse tipo de decisão pode afetar diretamente a disponibilidade de recursos de uma empresa.

Para o CEO da Pact, Lucas Pena, os números não permitem afirmar que o passivo trabalhista causou a recuperação judicial. Entretanto, ele avalia que o volume de processos também precisa fazer parte da análise sobre a situação financeira da companhia.

“Quando uma empresa chega a uma recuperação judicial com uma carteira dessa dimensão, não basta olhar apenas para dívida bancária, juros e alavancagem. O contencioso continua produzindo decisões, pagamentos e bloqueios”, afirmou.

Segundo Pena, caso a companhia não conheça e administre essa exposição com precisão, o passivo pode continuar pressionando o caixa durante a tentativa de reorganização financeira.

Valor das causas supera R$ 10 bilhões

A diferença também aparece no valor total das causas trabalhistas ativas. Na Casas Bahia, essa soma chega a R$ 10,27 bilhões. Já as outras duas varejistas analisadas apresentam R$ 1,68 bilhão e R$ 228,22 milhões.

Apesar disso, a Pact ressalta que o valor das causas não representa necessariamente o montante que as empresas terão de desembolsar. O indicador funciona como uma referência processual e, neste caso, ajuda a comparar o tamanho relativo das carteiras trabalhistas.

Dos 27.295 processos ativos da Casas Bahia, 5.063 já transitaram em julgado. O valor das causas desse grupo soma cerca de R$ 1,06 bilhão.

Além disso, a companhia terminou 2025 com 30.492 colaboradores e 1.042 lojas. No mesmo período, registrou receita líquida de R$ 29,1 bilhões e prejuízo ajustado de R$ 1,54 bilhão.

Diferença continua mesmo entre empresas de porte semelhante

A comparação da Pact também mostra que a diferença não se explica apenas pelo tamanho da operação. Casas Bahia e uma das varejistas analisadas apresentaram receitas anuais por funcionário próximas, de aproximadamente R$ 954 mil e R$ 934 mil, respectivamente.

Ainda assim, a Casas Bahia registrou 6,2 vezes mais ações trabalhistas por empregado do que essa concorrente.

“Não estamos dizendo que o valor de causa será desembolsado nem que o contencioso trabalhista explica sozinho a recuperação judicial”, reforçou Pena.

Segundo o executivo, os números mostram uma exposição judicial proporcionalmente maior e uma incidência mais elevada de constrições. Dessa forma, o levantamento levanta a discussão sobre o peso da gestão do passivo trabalhista dentro do processo de reestruturação financeira da varejista.

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FONTE/CRÉDITOS: BPMoney