Com 36.393 notificações e mais de 11 mil casos confirmados de dengue até o início de agosto, o Ceará registra um aumento expressivo da doença em comparação com o mesmo período de 2025. No ano passado, foram 25 mil casos notificados e 4.856 confirmações — uma elevação de 91,7% e 172,7% respectivamente. 

Os dados são do IntegraSUS, plataforma de transparência da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e foram levantados pelo Diário do Nordeste na última sexta-feira (21). Além disso, o Informe Operacional de Arboviroses publicado pela Pasta em 11 de agosto também foi analisado pela reportagem. 

Conforme o documento, 34 municípios cearenses apresentam incidências classificadas como alta ou muito alta, o que configura um “cenário de risco para ocorrência de epidemias nesses territórios”.

Leia Também:

Neste ano, a dengue chegou aos 40 anos no Ceará com quase 900 mil casos e 680 mortes ao longo do período. 

Só em 2026, o Estado registrou 376 casos de dengue com "sinais de alarme" e 19 casos de dengue grave; 18 casos evoluíram para óbito e cinco mortes estão sob investigação. Os falecimentos foram confirmados nas Superintendências Regionais de Fortaleza (7), Norte (5), Sul (3) e Litoral Leste (1).

Segundo o Informe, o aumento progressivo na positividade dos exames analisados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) iniciou em 31 de maio, com trajetória ascendente até a Semana Epidemiológica 29, entre 19 de julho e 25 de julho.

O pico de casos confirmados se concentra entre os dias 22 de junho e 1º de agosto

O comportamento pode ser explicado pela "intensificação da circulação viral e do processo de transmissão da dengue em algumas regiões do Estado durante o período", segundo o Informe. 

Os exames de biologia molecular revelam que há a predominância do sorotipo DENV-2 com 85,7% nas amostras, seguido pelo DENV-1, com 13,6%.

Apesar do sorotipo DENV-3 ter aparecido em 0,7% das amostras, as autoridades de saúde do Ceará têm se preocupado com a dispersão geográfica desse tipo.

Esse sorotipo foi introduzido no Estado em 2001 e voltou a prevalecer em 2008, 2011, 2021 e 2025. Por isso, a maioria da população não adquiriu imunidade. Assim, as pessoas estão mais vulneráveis à infecção, o que pode levar ao surgimento de novos surtos de rápida propagação no Estado.

Como está a circulação da dengue no Estado?

A circulação do vírus da dengue já atinge 176 dos 184 municípios cearenses com registros de casos prováveis. Em 34 cidades, há incidência acumulada de casos prováveis classificados como alta ou muito alta, indicando risco de surtos. 

Entre esses territórios em risco, 25 municípios se destacam por apresentar alta ou muito alta incidência especificamente de casos confirmados, o que se caracteriza com “transmissão ativa sustentada”. São eles:

  • Cedro, Jardim, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Porteiras, Baixio, Cariús e Várzea Alegre, no Sul do Estado;
  • Tianguá, Hidrolândia, Catunda, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Tamboril, Sobral e Croatá, no Norte do Ceará;
  • Aracati, Pereiro, Jaguaretama, Palhano, Jaguaribara, Itaiçaba, Jaguaribe e Icapuí, no Litoral Leste.

O maior volume de notificações, cerca de 62,5%, está concentrando nas Superintendências Regionais de Saúde Norte e Fortaleza, enquanto a Superintendência Sul (SRSUL) se destaca com a maior proporção de casos confirmados (34,4% das confirmações) e o maior índice de positividade laboratorial (42,7%).

Como identificar os sinais e se prevenir

Presente de forma ininterrupta desde 1986 no Ceará, a dengue se tornou uma das viroses mais comuns e também um problema de saúde pública. A doença é caracterizada, conforme o Ministério da Saúde, por febre aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada. 

Apesar da recuperação previsível, é possível que parte dos pacientes com dengue evoluam para formas graves, com óbitos. Por isso, a Pasta reforça a necessidade de procurar um serviço de saúde “todo indivíduo que apresente febre (39°C a 40°C) de início repentino e pelo menos duas manifestações como dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos”. 

FONTE/CRÉDITOS: Diário do Nordeste