PT lançou neste sábado (25) a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao Governo de São Paulo em convenção estadual com as presenças do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Os discursos foram marcados por ataques ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja candidatura à Presidência também foi oficializada neste sábado pelo PL.

Em uma amostra do que deve ser a campanha, os discursos enfocaram críticas às privatizações, sobretudo a da Sabesp, e exaltaram o papel das mulheres na política.

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O evento do PT ocorreu na Arena Concórdia, em Campinas, e foi o primeiro da história da sigla a ser feito no interior paulista para um cargo majoritário.

A convenção também definiu as candidaturas do vice de Haddad, o ex-ministro e ex-governador Márcio França, e das pré-candidatas ao Senado, as ex-ministra Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) —todos estavam presentes.

O evento ainda confirmou os nomes dos 55 candidatos na disputa à Câmara dos Deputados e 90 à Assembleia Legislativa.

Em sua fala, Haddad questionou os dados de segurança pública e de educação de Tarcísio: "Está tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado: na segurança, na saúde, na educação, população em situação de rua."

Ele também comentou a honraria concedida pelo governador ao presidente argentino, Javier Milei, na manhã deste sábado durante visita ao Palácio dos Bandeirantes. "O que está disputando, Tarcísio? Dar uma medalha para o Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para [a população na] Argentina?"

O ex-ministro da Fazenda também aproveitou para criticar Flávio, que jogou dúvidas sobre o processo eleitoral no início desta semana. "A qualidade da urna eletrônica brasileira é invejada no mundo inteiro. E esses caras estão até hoje falando da urna eletrônica, que deu a vitória para o Bolsonaro em 2018, que deu a vitória para o Tarcísio em 2022", afirmou.

Críticas ao fascismo, ao bolsonarismo e ao tarifaço do presidente do Estados UnidosDonald Trump, perpassaram o evento inteiro.

O presidente Lula falou sobre a importância de manter o processo eleitoral isento. "Quem vai decidir o destino deste país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. E por isso o aviso está dado. O Brasil é soberano."

A fala ocorre no mesmo dia da divulgação da tentativa do governo americano de enviar funcionários do Departamento de Estado para questionar as eleições no país, conforme revelado pelo jornal The Washington Post neste sábado.

"Que não venha ninguém de fora meter o dedo nas nossas eleições", disse Lula. "Esse país é nosso, e aqui ninguém mete o bedelho!" afirmou o presidente, ovacionado pela plateia.

Na convenção, a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática fez críticas ao tarifaço, que vinculou a uma articulação de Flávio.

"Não é possível ter um presidente da República que trama contra o Brasil, que vai atrás de taxação para destruir a indústria [brasileira]", disse ela. "Essas pessoas não estão fazendo mal a uma ideologia, estão fazendo mal a um povo, a uma nação", afirmou.

Em seguida, disse que "não é possível abrir mão da soberania, não é possível abrir mão da democracia", e também defendeu as ações do presidente Lula ao combate ao desmatamento, que teve o menor índice no primeiro semestre desde 2016.

Tebet também fez críticas ao senador. "Estamos enfrentando os mesmos desafios do passado. Do lado de lá, não há um democrata, mas um golpista de plantão. Tal pai, tal filho. Já começou questionando a segurança das urnas. Já sente o cheiro da derrota e quer colocar em dúvida os resultados", disse a senadora.

Em um aceno ao voto feminino, Tebet fez alusão à fala de Paulo Figueiredo, aliado bolsonarista de Flávio, que disse que "as mulheres votam mal (sic)". "Em seus nomes, quero cumprimentar todas as mulheres paulistas e brasileiras que se fazem aqui presentes. Nós vamos votar com inteligência", afirmou a também ex-ministra.

Previsto para as 9h, o evento começou por volta das 11h. Houve intenso congestionamento na entrada do local. No horário marcado para começar, as arquibancadas ainda estavam praticamente vazias, mas foram sendo ocupadas até o início da cerimônia. Ao fim, estavam lotadas. Segundo a equipe de Haddad, o espaço tem capacidade para 4.000 pessoas.

Como mostrou a Folha, o petista, escalado para a disputa em São Paulo para oferecer um palanque a Lula no estado, tem pela frente o desafio de passar para o segundo turno.

Pesquisa Datafolha deste mês de julho mostra o governador Tarcísio de Freitas com 46% das intenções de voto no primeiro turno, uma vantagem de 16 pontos percentuais em relação a Haddad, que tem 30%.

Em São Paulo, eleições altamente polarizadas, como a que se desenha, historicamente terminaram ainda em primeiro turno.

Haddad também enfrenta uma dificuldade do PT no estado, que o partido nunca governou, e tem como maior obstáculo o interior, historicamente antipetista. Em 2022, Haddad venceu na capital, mas perdeu no interior e no litoral.

O presidente do PT de Campinas e pré-candidato a deputado federal, Pedro Tourinho, afirma que a campanha pretende percorrer todo o interior paulista, do oeste ao Vale do Paraíba, sem priorizar uma região específica. Segundo ele, Haddad e Lula estão construindo um programa de governo, fazendo visitas e tendo reuniões pelo estado para ter um desempenho positivo na região.