Espaço para comunicar erros nesta postagem
Uma ofensiva da Delegacia de Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (DCLD), da Polícia Civil do Ceará, desarticulou um esquema de pirâmide financeira em 2024 e segue com processo criminal na Justiça cearense, que neste mês determinou que um Porsche e uma Lamborghini vão a leilão. Os veículos de luxo, um avaliado em cerca de R$ 3 milhões e outro em R$ 700 mil, tiveram a alienação antecipada determinada, ou seja, não devem mais pertencer ao dono original.
No caso do Porsche, uma decisão publicada na última quinta-feira (23) mostra que o Judiciário determinou uma avaliação judicial por leiloeiro credenciado e também que o produto da venda seja depositado em conta vinculada ao juízo até a decisão final do processo.
Pelo alto custo de manutenção e pelo risco de deterioração dos veículos, confinados em pátios públicos, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas determinou essas alienações antecipadas.
A defesa, entretanto, alegou no processo que os valores dos veículos e de outros bens de luxo têm origem lícita, provenientes de investimentos em criptomoedas feitos pelo réu Rodrigo Borges enquanto trabalhava como engenheiro em Angola.
Ainda assim, o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) manteve o bloqueio dos bens, por entender que os ativos são fundamentais para garantir a futura reparação das vítimas. O valor arrecadado no leilão ficará depositado em conta judicial até a conclusão do processo.
Todas as tentativas de defesas em segundo grau para reverter as apreensões e bloqueios foram unanimemente rejeitadas pelo TJCE, que considerou as medidas necessárias para garantir a eficácia da investigação e a futura reparação de danos.
Legenda: Bens de luxo adquiridos chamaram atenção das autoridades.Foto: Nzrlivez / Shutterstock.com e Reprodução.
Uma outra pessoa chegou a requerer a restituição de veículos de luxo, sem ser os réus. Um empresário que comercializa e intermedia vendas de veículos.
O homem (identidade preservada por não ser um dos investigados) informou ser o proprietário do Porsche Boxster GTS 4.0 e de uma BMW X6 M Competition.
Em depoimento presente nos autos processuais, ele afirmou que vendeu a BMW para Silo Gustavo em julho de 2023 e o Porsche para Rodrigo em novembro do mesmo ano. O contrato, entretanto, rescindiu, pois houve falta de pagamento de parcelas.
No processo, os advogados ressaltaram que o empresário não era réu e sequer constou como investigado, pontuando que a relação com os investigados foi estritamente comercial e lícita.
Pirâmide financeira
A investigação apurou crimes contra a economia popular e organização criminosa, e aponta Rodrigo da Silva Borges como líder do grupo, com participação de Silo Gustavo Carneiro de Alcântara Júnior, responsável pelos sistemas de informática do esquema.
Conforme a denúncia do MPCE obtida pela reportagem, Gustavo, assim como Rodrigo, chegou a ser "indiciado no mesmo Inquérito Policial conduzido pela PC-RJ referente à investigação de crimes praticados por um grupo criminoso contra o patrimônio de inúmeras pessoas, que concluiu pelo indiciamento do requerente por participar qualificadamente de orcrim que tinha como objetivo praticar crime de lavagem de dinheiro, exercendo papel fundamental para o funcionamento da organização criminosa ao elaborar o sistema utilizado para a prática dos golpes e ajudar a ocultar os recursos recebidos pelos demais membros da organização criminosa".
O MP do Ceará ainda ofereceu denúncia contra outras três pessoas: Wallas Alves Silva, Luccas Tarcíso Faria e Felipe Matheus do Rego Correia. Eles fariam parte de um grupo da pirâmide financeira que se reunia constantemente em um condomínio de alto padrão em Aquiraz.
No total, quatro empresários foram alvos da operação. De acordo com as investigações, as vítimas chegavam a investir até R$ 100 mil nas empresas dos suspeitos, que ostentavam vida de luxo nas redes sociais.
"Esse grupo, basicamente, atuava em pirâmides financeiras, fazendo captação de dinheiro e transformando [esse dinheiro] em criptoativos e criando falsas aplicações, prometendo lucros fáceis na Internet. Eles se utilizavam das próprias redes sociais para mostrar sucesso, ostentar. Nós aprendemos oito veículos de luxo. Tem alguns que são conhecidos como superesportivos, Lamborghini, Porsche. São veículos de alto valor", informou à época da operação delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez
Esquema criminoso promovia ostentação
O golpe foi operado por meio de uma empresa chamada Alphabets, apontada pelas autoridades como responsável por um prejuízo de "proporções incalculáveis" ao patrimônio de vítimas em todo o Brasil.
Em resumo, investigados já respondiam por estelionato em outros estados, como Rio de Janeiro, Alagoas e Rio Grande do Norte, e faziam do Ceará uma base para se esconder das operações ilegais.
Segundo o MPCE denunciou, Rodrigo começou a adquirir bens de luxo em território cearense após a conclusão da investigação da Alphabets. A denúncia aponta que eram bens "tais como um lote e posterior construção de uma casa de alto padrão no Condomínio Alphaville Fortaleza, registrado em nome de sua genitora, além de vários carros esportivos e também de luxo, os quais foram adquiridos a partir de recursos provenientes dos crimes por ele praticados".
A soma dos bens móveis e imóveis vinculados ao grupo chega a R$ 8,6 milhões. Segundo a polícia, os suspeitos ostentavam um padrão de vida altíssimo nas redes sociais, tendo passado a adquirir bens de luxo no Ceará a partir de 2021.
Entre os itens apreendidos pela Justiça estão:
- Lamborghini Huracan laranja, avaliada inicialmente em R$ 3 milhões;
- BMW X6 M Competition, avaliado em R$ 995 mil;
- Porsche Boxster GTS 4.0, avaliado em R$ 950 mil;
- Porsche Panamera, avaliado em R$ 835 mil;
- Porsche Cayenne, avaliado em R$ 779 mil;
- Lancha Narcia II, identificada como parte do patrimônio oculto do grupo;
- Casa duplex no condomínio Alphaville Fortaleza, no Eusébio, avaliada em R$ 3,5 milhões.
Mãe de suspeito usada como laranja
Para lavar o dinheiro, os investigados registravam parte do patrimônio em nome de terceiros. Uma parte dos bens mais valiosos estava no nome da mãe de Rodrigo.
A investigação revelou que, enquanto figurava como proprietária de bens milionários, a mulher Morgania recebia um auxílio governamental de R$ 600, e não tinha histórico de trabalho compatível com a fortuna em seu nome.
Publicado por:
Imprensa Livre do Ceará
Imprensa Livre do Ceará é uma plataforma jornalística dedicada a trazer notícias de qualidade, com foco em informação precisa e atualizada sobre economia, política, tecnologia e tendências do agro no Brasil e no mundo.
Saiba Mais
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se